Da redação
Na busca de um nome para ocupar a vaga de vice-presidente na chapa encabeçada pelo tucano José Serra, todos os caminhos do PSDB conduzem ao mesmo nome: o do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves.
O comando da campanha de Serra ainda não desistiu de convencer Aécio a aceitar o posto e as principais alternativas pensadas para seu lugar são, na prática, uma forma disfarçada de ter o político mineiro na chapa.
Assim, se Aécio é o plano A da oposição, como plano B foi pensado o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), primo do ex-governador. E como plano C chegou a ser cogitado o convite para Andrea Neves da Cunha, irmã de Aécio.
A ideia do PSDB é esperar até junho para convencer o político mineiro a formalizar a dobradinha com Serra. Até lá, a tática da cúpula do partido é evitar qualquer discussão pública em torno do tema.
O silêncio e os planos alternativos patrocinados pelo tucanato são postos à mesa com dois objetivos: a curto prazo, uma nova opção de vice serve para aliviar a pressão sobre o ex-governador de Minas, que ninguém quer melindrar. Em um horizonte mais amplo, o que se pretende é guardar na manga uma solução com cara de Aécio.
Quatro candidatos - O DEM, principal parceiro do PSDB, diz que só abre mão da vaga na chapa presidencial em favor do mineiro. Se essa articulação falhar, o DEM cobra o posto para um de seus filiados. Nesse caso, cada corrente do partido tem sua preferência. As quatro principais são a senadora Kátia Abreu (TO), o senador José Agripino Maia (PI), e os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Ronaldo Caiado (GO).
"O Democratas apoia o nome de Aécio Neves para vice. Fora isso, entendemos que, como principal aliado do PSDB e tendo direito ao mesmo tempo de propaganda eleitoral que os tucanos, a vaga deve preenchida por alguém do Democratas", diz o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM.
Ao mesmo tempo em que faz a exigência, o DEM admite que a solução pode passar longe do partido, desde que haja um acerto prévio. "Não vamos criar caso se a saída for negociada. Somos solução. Não somos problema", garante Maia.
Esse "desprendimento" deve-se a duas constatações. O DEM não tem um nome nacional forte que agregue todas as correntes do partido e peso eleitoral à campanha. Nas conversas de bastidor, também admite que a imagem do partido está muito desgastada nacionalmente por conta do escândalo do chamado mensalão do DEM do Distrito Federal, que resultou na queda e prisão de José Roberto Arruda, único governador que a legenda elegeu em 2006.
Não por acaso, dois postulantes do DEM à vaga de vice são nordestinos.
Agripino e Aleluia acreditam que podem ajudar Serra a descontar a diferença que a candidata petista Dilma Rousseff poderá fazer na região por conta do prestígio local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Perfil - "Mas o critério de escolha não precisa ser necessariamente regional", diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente do PSDB.
Ele lembra que o perfil da região é heterogêneo demais e que não existe nenhum líder que unifique o eleitorado da Bahia até o Maranhão. (Do Estadão)