Cidades
Os recursos, certamente, não beneficiarão somente o setor turístico de Mato Grosso do Sul. Uma obra com recursos dessa monta atendem, na verdade, a necessidade urgente e já reivindicada há anos no Estado: a melhoria da malha ferroviária. Sem dúvida, o investimento em logística hoje ajudaria a reduzir o preço de várias matérias-primas e, consequentemente, o valor final dos produtos que chegam ao consumidor.
Certamente, o governo federal – que já investiu R$ 8 bilhões em quatro anos em Mato Grosso do Sul, conforme declarações do presidente Lula – não terá dificuldades para aplicar mais R$ 226 milhões na melhoria da ferrovia. Mas, a concessionária responsável também precisa ser cobrada. Os recursos servirão para troca de dormentes e de trilhos e a recuperação da estrutura de pontes metálicas. Espera-se, agora, que as promessas de investimentos sejam finalmente cumpridas para atender tanto aos setores econômicos quanto ao turismo de Mato Grosso do Sul.
Na entrevista concedida pelo presidente fica evidente que houve alguma falha no acordo firmado entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a América Latina Logística (ALL), pois este terá de ser refeito. O mínimo que precisava estar garantido era de que fosse feita a modernização do trecho da ferrovia. O problema é que somente agora se percebeu que isso não estava assegurado. No caso do Trem do Pantanal, não havia garantia de que as melhorias fossem “possibilitar o transporte de passageiros com conforto e segurança”, exigências mínimas de qualquer pessoa que deseja fazer um passeio turístico.
O vagaroso trem, que só chega a 30 quilômetros por hora, anda num ritmo tão lento como as obras para melhoria do sistema ferroviário de todo o País, que hoje conta com 29,7 mil quilômetros. Caso houvesse preocupação maior com essa modalidade de transporte, não haveria necessidade de aplicar recursos milionários com a justificativa de acelerar o trem para chegar a 50 quilômetros por hora.
Há um ano, o presidente Lula esteve no Estado e havia garantido os investimentos. Agora, a ALL está entre a cruz e a espada. Ou aceita e, principalmente, cumpre os novos termos do acordo, ou a ANTT iniciará processo para retomar a concessão para a União. O fato é que a empresa não pode ficar omissa de suas obrigações e o governo precisa tomar as medidas que atendam aos interesses da população.
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