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Tem cheiro de golpe político
Tem cheiro de golpe político
Belo Monte é uma montanha de mentiras. Uma delas, a principal, é de que o preço megawatt/hora será de 77,97. Basta somar a isso os incentivos de 75% do Imposto de Renda dados pelo governo e chegará a fácil percepção de que é uma farsa o preço acima. É como se não existisse o valor do imposto a ser pago pelas ganhadoras. Então não é perda de reais. A fala do ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann ou é de um idiota que não sabe onde está ou é de um contumaz mentiroso ao dizer que “o Brasil está vitorioso porque Belo Monte produzira a energia mais barata do leque de usinas”.
Isso sem comentar que o governo, na verdade, é que está por trás de tudo o que vai ser gasto em Belo Monte. Tem 49% do investimento e o BNDES vai financiar 80% da obra que tem como ganhadora de sua licitação um monte de empresas desprovidas de capacidade técnica para esse porte de obra. Daí a razão da Odebrechet e Camargo Corrêa estarem de volta ao palco, no fundo chamadas pelo governo federal. Estas não estão preocupadas com a bilheteria do circo montado pelo presidente da república. Dão o espetáculo, recebem seu cachê e se mandam.
No fundo, o brasileiro fica com 49% da obra e se torna credor de 80%. Sabe, tenho para mim que essa obra da usina Belo Monte é pura cascata no final do espetáculo. Após outubro e as eleições, o presidente vai dizer que caberá ao novo governo tomar a decisão final. As justificativas vão ser as demandas judiciais pelo Ministério Público e o tal Plano Básico
Ambiental, mas que as duas raposas, Odebrecht e Camargo Corrêa, têm tudo prontinho, daí o presidente engolir o sapo e chama-lás de volta.
O cheiro de golpe político, título do artigo, sai fora de Belo Monte, mas continua com o presidente da República na direção geral. Há momentos que me questiono sobre o menosprezo à minha inteligência. É o caso do “sem rumo e partido” vivido por Ciro Gomes. É jogada das grandes, com certeza. Ao transferir o seu título de eleitor para São Paulo, a peça teatral já estava com script pronto. Ciro Gomes não pode ser candidato a cargo majoritário no Ceará porque seu irmão é candidato à reeleição a governador. Não querendo ser mais um coadjuvante na Câmara Federal, a sua candidatura ao Senado da República teria que ser migrada para outro estado, como sempre ensinou o professor José Sarney.
Ao lançar sua candidatura a presidente, o jogo de cena teatral foi feito para o palco paulista, onde ele deu o seu primeiro berro. Colocou seu nome na seara, primeiro como governador e agora encontra um forte motivo para ser lançado a senador por São Paulo. Poderá ser a “saída honrosa” à sua desistência para presidente e com apoio do PT e seu chefe. Tá eleito. O presidente sabe muito bem que o Ciro em São Paulo, vai tirar votos de Serra. O “juris esperneandi” de Mercadante foi para a plateia.
Levando em conta que apenas 40% dos eleitores brasileiros não são analfabetos funcionais e que desses quarenta, 65% estão em São Paulo, a candidatura Ciro se torna alto negócio para tentar fazer frente aos votos culturais serristas e ainda sobrar influência em Minas Gerais em contraponto a influência Aécista no território paulista, ambos com alcance no Rio de Janeiro. Como em política tudo é possível, cá comigo, tem cheiro de golpe político.
Raphael Curvo, Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ
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