A falta de uma orientação sincera e verdadeira do uso da palavra resulta no seu uso inadequado. Devido à familiaridade e facilidade no falar deixamos de nos beneficiar de um poder extraordinário que nos foi concedido pelo nosso Pai. Por intermédio da palavra, foi criado o universo, e através da palavra cada um de nós cria o seu próprio universo, sabendo ou não, querendo ou não.
O poder criador da palavra vai aos poucos moldando a nossa vida. Quando manifestamos a realização de um desejo e no instante seguinte, por outro motivo, condenamos alguém que obteve o que queríamos, esse conjunto de contradições – uma declaração positiva seguida de outra negativa – cria um estado de contrariedade que nossa mente não consegue entender, pois ela não é seletiva, não tem senso de humor, não sabe que estamos falando “só de brincadeirinha”, que é “só força de expressão”. E assim, perdemos a oportunidade de utilizar a palavra no seu mais profundo poder, que é o da realização daquilo que desejamos.
Podemos comparar nosso cérebro com um canteiro de terra adubada e preparada para o plantio. A terra, da mesma maneira que a mente, não é seletiva, ela não seleciona o que vai produzir, apenas produz o que é plantado de forma natural. Devolve o que recebe. Assim, se plantarmos mandioca, colheremos mandioca, se plantarmos batata, colheremos batata; a terra não avalia se o produto do seu trabalho é bom ou mau. Ela apenas faz o seu trabalho: processar aquilo que foi plantado.
Dessa forma, quando utilizarmos o nosso processo mental com entendimento e conhecimento poderemos conscientemente construir o nosso destino, dia a dia, usando a inteligência.
O professor Hildebrando Campestrini tem uma frase lapidar: “Somos imortais pela palavra”. Com o que eu concordo plenamente. Por que a grande herança que cada um de nós deixa, no tempo e no espaço, é a nossa continuidade – que é o somatório de tudo o que falamos e fazemos – e se realiza por meio da palavra.
É necessário – mais que necessário indispensável - o nosso despertar para a utilização plena de todo o potencial de que fomos dotados. Vamos pensar antes de falar, para só falarmos aquilo que de fato queremos ver realizado. E assim, conscientemente – a palavra-chave é consciência – acordados, devemos estar presentes a cada momento, evitando agir de modo automático.
Outro ponto a ser destacado é quanto à pronúncia adequada das palavras e também quanto ao uso das palavras certas, sem utilização de chavões, de termos chulos nem de gírias, pois estas tendem a ter interpretações que acabam confundindo a nossa mente.
De um modo geral as pessoas procuram algo grandioso, algo espetacular e não enxergam o óbvio. É preciso ver o óbvio e nele descobrir as nossas raízes, usando o discernimento – o primeiro passo na evolução espiritual – para descobrir o sentido que se esconde por trás daquilo que nos parece tão simples. E para isso é necessário entender que a pressa, a preguiça e a pressão, associadas à arrogância e ao interesse não nos levam a lugar nenhum, pelo contrário.
Um ponto fundamental no que se refere à palavra é o cumprimento daquilo que se prometeu. Ninguém é obrigado a se comprometer, mas feito isso, obriga-se pela palavra ao seu cumprimento.
A partir do momento em que se entende o poder e o significado da palavra, se sente, inicialmente, uma frustração decorrente do tempo desperdiçado e que não volta, mas quando se compreende verdadeiramente, podemos dizer à semelhança de Chico Xavier: “ Não podemos mudar o começo, mas podemos fazer um novo fim”.
Vamos fazê-lo. Depende de cada um.
Heitor Freire, Corretor de imóveis – advogado
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