Em ocasiões anteriores já haviam adotado estratégia parecida, interditando a BR-163, perto de Campo Grande, bem longe das terras que alegam ser suas. Tudo para facilitar a atuação da imprensa, já que é por meio dela que conseguem um mínimo de visibilidade. Na região de Miranda há inúmeras áreas pretendidas pelos terenas. Porém, o alvo predileto são sempre as terras da família do ex-governador Pedro Pedrossian, pois sabem que a repercussão é maior que a invasão de qualquer outro imóvel.
Não se trata de julgar o mérito deste tipo de estratégia, pois cada um deve ter a liberdade de utilizar as “armas” que achar necessárias para tentar alcançar seus objetivos. Porém, o risco é que com o passar dos dias estas manifestações percam o poder de “sedução” e o radicalismo ganhe força. Os povos terenas historicamente foram conhecidos como pacíficos. E, interdição de rodovias e confronto com policiais fortemente armados e preparados para embates certamente não fazem parte da cultura destas famílias. Ou seja, é muito grande e real a probabilidade de um dos próximos passos ser a busca de mártires para carregar a bandeira da ampliação das aldeias. No sul do Estado, onde os guaranis lutam por mais terras, a morte do cacique Marcos Veron, cujos supostos assassinos começaram a ser julgados recentemente em São Paulo, e o assassinato de dois professores indígenas em Paranhos, em novembro do ano passado, são exemplos claros disto.
Enquanto isso, autoridades estaduais e federais simplesmente empurram o problema com a barriga. Prova disto é que o palco do confronto de policiais e índios na segunda-feira está em disputa há cerca de três décadas. Enquanto entra e sai governador, índios e proprietários rurais são obrigados a viver neste clima de absoluta instabilidade. Atualmente, é a família do ex-governador Pedro Pedrossian que sente na pele o peso da omissão dos governantes locais com relação à questão indígena. Existe ainda o exemplo de um ex-secretário de Estado e "quase governador", Ricardo Bacha, que enfrenta situação parecida. Para estes, pelo menos a polícia é mobilizada e expulsa os invasores. Nas demais propriedades, nem isto acontece. Mas, se nem mesmo o envolvimento de integrantes da "nata" estadual é suficiente para acabar com o imobilismo crônico (o fato de a questão indígena ser "problema federal" não justifica a omissão local) dos governantes de MS, pouca esperança é possível ter no que se refere ao alcance de uma solução.
Inspeção surpresa
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04/11/2026 18h55
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Nova Etapa
Fazenda de R$ 95,7 milhões vira assentamento da reforma agrária em MS
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04/11/2026 18h02
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