Cidades

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Tolerância excessiva

Tolerância excessiva

Redação

28/05/2010 - 06h17
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Nesta quarta-feira, dois policiais civis e um PM foram presos em Campo Grande acusados de extorsão. Embora os responsáveis pelas operações não tenham divulgado detalhes relativos aos supostos crimes praticados pelos policiais (quando são bandidos "comuns", normalmente a polícia faz questão de liberar tudo o que é suspeita), as informações paralelas indicam que eles apreendiam carros roubados e drogas e posteriormente revendiam o material, muitas vezes aos próprios bandidos. Caso venham a ser comprovadas estas denúncias, estará mais do que claro que estes policiais são criminosos bem mais perigosos que os traficantes ou arrastadores que são capturados quase diariamente nas rodovias do Estado.

         A operação de ontem é uma espécie de continuação da prisão ocorrida em abril, quando um policial civil foi flagrado na BR-262, em Miranda, com 14,5 quilos de cocaína e um carro roubado. Aquela prisão deixou evidenciado que existia um esquema de bandidagem maior e muito bem estruturado no meio das forças policiais de Mato Grosso do Sul. E, as prisões desta semana mostram que a reação das autoridades foi rápida para tentar cortar o mal pela raiz, embora estas três detenções não signifiquem, por si só, que a “casa caiu” para os bandidos de farda.

            Porém, esta aparente agilidade tem outra face. Os agentes públicos envolvidos na chamada operação Ali Babá têm longo histórico de casos tenebrosos em Campo Grande. Um deles chegou a ficar preso por mais de dois meses acusado de participação em dezenas de assaltos na cidade. Mas, faltaram provas e ele acabou não sendo condenado. Posteriormente, pediu, na Justiça, indenização de R$ 1 milhão por supostos danos. Contudo, não foi atendido em seu pleito. Outro, foi flagrado em poder de um fuzil, que certamente seria revendido para quadrilhas de narcotraficantes. Mesmo assim, continuavam com seus distintivos.

          É fato incontestável que a legislação brasileira protege demasiadamente determinados delinquentes, principalmente quando estes ocupam funções públicas, independentemente do escalão. Porém, é inegável também que o corporativismo e o receio de “cortar a própria carne” sejam doenças crônicas, principalmente nas instituições policiais. Ou seja, na maior parte dos casos é falta de vontade em aplicar os rigores da lei assim que surgem os primeiros indícios de irregularidade. Ou, será que um fuzil clandestino não seja indício suficientemente forte para expulsar um agente público da instituição?
         Ao longo dos últimos quatro ou cinco anos foram raras as notícias de policiais de MS envolvidos na criminalidade, algo comum em décadas passadas. Recentemente, porém, o "modismo" voltou. Com isso, a sensação de insegurança, que já é generalizada nas maiores cidades, só tende a aumentar. Por isso, punir com rigor e agilidade é a única saída.

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