Divulgada a pesquisa revelando a vantagem para este ou aquele postulante, entre instantes de euforia, para o que está a frente, ou depressão, ou melhor, frustração, para aqueles que ficaram na poeira, seus respectivos adeptos procuram de imediato uma explicação que lhes seja conveniente. É também fruto da magia.
É certo que os institutos de pesquisa radiografam o “momento atual”, ou seja aquele que ocorre no instante da tomada de opinião da pessoa entrevistada, isto em determinado local desse nosso continental país. Por mais científico que seja o método da pesquisa e, sobretudo, da idoneidade da empresa, de seus funcionários tomadores da opinião, o que se levantou, por maior que seja a pureza do trabalho, revela tão somente “uma expectativa do que poderia ser”...
Os resultados recentes, divulgados pelos mais prestigiosos órgãos de consulta, não revelam mais do que tal “expectativa”. É interessante, com um pormenor, este importante, no caso da disputa para a presidência da República. No meio da disputa, há uma espécie de fantasma, este protagonizado pela figura do senhor Luiz Inácio, que, sutil e inteligentemente, se introduziu no espetáculo para ser apreciado no lugar de sua candidata in pectore, Dilma Rousseff.
É verdade. Até as águas que correm levam elas as canoas do Serra, da Marina, do inefável Luiz Inácio, este trazendo na garupa a Dilma. Às margens, estamos todos nós apreciando o curso das águas rumo à foz – o dia três de outubro. Luiz Inácio, com sua canoa impulsionada por um potente “Evinrude de 100 cavalos” na popa (prestígio pessoal, máquina de governo, cordão de acólitos, dinheiro à forra, publicidade oficializada, etc etc), vai a dianteira. A corrida, portanto, neste instante, é desigual face à força turbinada pelo Palácio do Planalto, que, como se sabe, não tem pejo no uso dos recursos públicos para tal.
Mas, no curso para sua foz, as águas eleitorais terão que enfrentar um grande obstáculo para fluírem à jusante, pois terão que passar por um vertedouro, e aí só serão permitidas aquelas autênticas, ou seja sem aguapés, troncos, galhos de árvores, capins diversos e, dentre outros, alguns répteis como as jaracuçús, muito comuns à beira das canoas oficiais...
Ultrapassado o vertedouro, aí sim começa a disputa “mano a mano”, cada um por si, pela sua força e pela sua inteligência, em igualdade de condições e sem qualquer artifício. É a chamada hora da verdade – os dos debates pela televisão, do qual nenhum dos candidatos poderá fugir sob pena do escarnio popular. E no debate, mostrar realmente a sua capacidade não só de conhecimento dos magnos problemas que estigmatizam o país, suas possíveis soluções, como também registrar presente o seu curriculum vitae para que a nação não seja dele surpreendida no futuro. Também, esclarecer outras coisitas mais.
Na realidade, hoje o que ocorre é uma disputa de prestígio entre o atual presidente da República, com os imensos poderes que tem, e os que se antepõem à sua política governamental e do abuso do seu prestígio pessoal. A senhora Dilma ainda não entrou na disputa, é apenas um fac totum daquele. Porém, já está perto, aí veremos como a onça irá beber água!
Ruben Figueiró de Oliveira, suplente de senador
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