Todo dia saímos à rua, para buscar o futuro, esquecer o passado – corrigir seus erros, se possível – ou, simplesmente, viver o presente. É uma etapa em nossa jornada que, sabemos, tem começo, meio e fim, e na qual tentamos contribuir com alguma coisa, e não ser apenas espectadores passivos ou massa de manobra dos desejos alheios.
Não é fácil viver, por mais que nos esforcemos para tanto. Queremos apenas plantar e colher o fruto de nosso trabalho, regado com nossa esperança. Estudamos, aprendemos e nos aplicamos para isso, acreditando que crer é suficiente, mesmo sabendo que nossos esforços nem sempre bastam para enfrentar as forças adversas, muitas delas invisíveis, que se apresentam no caminho.
Qual seria o sentido da vida se não acreditássemos nisso? O que nos restaria de humano e divino se simplesmente aceitássemos seguir sem ter nenhum controle sobre o rumo?
Com tantas interferências, nossa caminhada pode estar cheia de perigos e ameaças, nem sempre identificáveis, e que às vezes vêm de onde menos ou nunca se espera!
Como as incertezas podem ser bem maiores do que as certezas, pedimos, rezamos e oramos por proteção divina, para que sejamos livres de todos os males. E mesmo quem não pede esse tipo de proteção já deve ter sentido que teve algum tipo de proteção, ou que sofreu algum mal cujo motivo era inexplicável.
Crendo ou não, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia, já dizia Shakespeare. Isso vale para a Dinamarca, como para qualquer ambiente: escola, trabalho, grupo social, etc.
De onde vem o divino bem que nos protege do mal que não vemos? De Deus, sem dúvida! Mas Ele tem seus anjos, alguns dos quais conhecidos como anjos da guarda. Muitas vezes eles são de carne e osso e exercem o bem ao evitarem que um mal seja perpetrado contra inocentes, sem que eles saibam quem o articulara. Sua bondade é tão grande que também alivia o ônus moral e espiritual do maldoso, embora a maioria destes seja imoral e alguns até usem o nome de Deus para legitimar suas maldades físicas ou psicológicas.
Esses últimos são os demônios de plantão, em grande parte também humanos, ao menos na forma orgânica. Eles não precisam possuir corpos para lhes fazerem mal: basta terem poder externo sobre suas vidas. E o poder nas mãos erradas, sejam elas: incompetentes, temerárias, orgulhosas, desmioladas ou sádicas pode gerar muito mal, às vezes travestido de boas intenções, daquelas de que o inferno está cheio, junto com os bem-intencionados que as tiveram.
Esses anjos da guarda e demônios de plantão estão em toda parte, travando uma luta diária por nossas almas: os primeiros sem nada pedir, os últimos tirando tudo o que podem, mesmo que não precisem. Uns zelando por nosso bem, outros perseguindo e destruindo, por estupidez ou prazer, transferindo suas culpas, erros e baixeza para o objeto de sua maldade e ainda alardeando que estão pensando num bem maior.
Hitler e Stálin provavelmente pensavam assim...
A nós, pobres mortais, resta continuar acreditando que podemos, com fé em Deus, remover os obstáculos que os demônios de plantão, infelizmente cada vez mais poderosos, motivados, dissimulados e bem organizados, nos impõem; e agradecer a doce atenção e perseverança obstinada dos anjos da guarda que, contra todas as tendências e facilidades oferecidas pelo mal, persistem em nos proteger.
Que Deus os abençoe! E a nós também.
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação
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