Ainda não existe data para a criação do novo conselho e nem detalhes sobre sua composição. Está certo, porém, conforme os congressistas, que a proposta sairá do papel, pois está prestes a ser encaminhada ao plenário da Câmara. Segundo a Federação Nacional das Entidades dos Servidores dos Tribunais de Contas, 14 dos 34 tribunais sofrem investigações por conta da atuação de parte de seus integrantes. São denúncias de nepotismo, enriquecimento ilícito e desvio de recursos públicos. Em todo o País, são estes tribunais os mais resistentes em cumprir a legislação que impede o nepotismo, por exemplo, e a situação em Mato Grosso do Sul não é diferente. Enquanto outras instituições de MS já tiveram que moralizar o auxílio-moradia, benesse que garante quase R$ 5 mil mensais aos conselheiros, no Tribunal de Contas e pagamento continua sem restrição alguma, inclusive para os aposentados.
Porém, o que se espera que este novo conselho faça não é apenas ater-se a questões administrativas e funcionais relativas a salários indevidos ou empreguismo, o que não deixa de ser um problema grave e crônico. O importante é que este Conselho force os TCEs a desempenhar o papel que verdadeiramente lhes cabe, que é de fiscalizar as contas dos órgãos públicos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o Tribunal custa em torno de R$ 100 milhões por ano aos cofres estaduais. Isto, com toda certeza, é bem mais que a corrupção que a instituição consegue impedir.
Então, além de o Congresso criar uma emenda constitucional criando o conselho externo, deveria estabelecer regras claras relativas ao preenchimento dos cargos, que hoje são, na maior parte dos casos, ocupados por políticos em fim de carreira, sem qualquer especialização, ou por pessoas da mais absoluta confiança dos governadores, os quais dificilmente chegariam ao ponto de reprovar a prestação de contas de seus "padrinhos" políticos ou daqueles que pertençam ao grupo político que patrocinou sua nomeação.
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