Rojões para comemorar a morte de algum desafeto não são raridade em morros cariocas, principalmente naqueles dominados pelo narcotráfico e nos quais nem mesmo a polícia se atreve a subir. Em Campo Grande, porém, é a primeira vez que se tem notícias sobre algo semelhante. E, se até a polícia comemorou a morte, embora de forma contida, é sinal de que a situação em determinadas regiões da cidade não está muito distante daquela enfrentada pelas forças de segurança do Rio, por exemplo. Sabia-se que o rapaz havia participado de recente assalto numa fazenda, mas continuava solto. Isto, possivelmente, porque os policiais sabiam que correriam perigo caso tentassem prendê-lo, pois já havia dado provas daquilo que ele e seus comparsas eram capazes.
O foguetório que se seguiu ao assassinato pode até ser fato isolado. A morte de um jovem, porém, certamente não o é. Este rapaz somente engrossa as estatísticas relativas aos homicídios envolvendo vítimas com até 19 anos. Segundo levantamento do Instituto Zangari, que utilizou dados do Departamento de Estatísticas do Sistema Único de Saúde (Datasus), o mais confiável do País, revela que Mato Grosso do Sul é o sétimo colocado no ranking nacional da violência contra crianças e adolescentes. Em 1997, 98 jovens foram assassinados no Estado. Dez anos depois, este número havia aumentado 31,3%, saltando para 129. Quase a metade, 57, destes crimes aconteceu em Campo Grande, onde também verificou-se aumento superior a 30% no número de casos em uma década.
Quer dizer, embora pareça um certo despropósito comparar a situação de certos bairros de Campo Grande com a de morros cariocas, a situação não é tão distante assim. Em Mato Grosso do Sul, são 15,2 assassinatos de jovens para cada grupo de cem mil habitantes. No Rio de Janeiro, são 21,2 .
É evidente que o combate a esta situação não cabe exclusivamente à polícia. Melhor, ela é a última que deveria ser acionada. As escolas públicas, que deveriam ser as primeiras a acolher determinados “garotos-problema” são as primeiras a falhar, pois são superlotadas e não dispõem de gente capacitada para dar a devida atenção aos milhares que carecem de cuidado redobrado. Centros especializados para tratamento de dependentes químicos, então, nem pensar. Conselheiros tutelares em número adequado para o tamanho de uma cidade como Campo Grande, só a promessa. Uneis equipadas, com profissionais e equipamentos, para “recuperar” certos adolescentes, só no sonho dos mais otimistas. Por estas e outras, não chega a ser surpresa ver o Estado figurando no topo do ranking da violência juvenil e por isso também autoridade alguma tem condições morais de recriminar algum comerciante (se é que foi algum deles) que tenha soltado rojões ao saber que o bairro estava com um “problema” a menos.
Inspeção surpresa
TCE-MS encontra irregularidades na usina de tapa-buracos em Campo Grande
Fiscalização surpresa identificou problemas no controle de pesagem dos caminhões e vai analisar a qualidade da massa asfáltica utilizada nos reparos das vias da Capital
04/11/2026 18h55
Equipe do TCE encontrou irregularidades em usina de massa asfáltica Foto: Divulgação / TCE-MS
Nova Etapa
Fazenda de R$ 95,7 milhões vira assentamento da reforma agrária em MS
Após aquisição da propriedade em Jaraguari, Incra oficializa criação de assentamento com quase 2 mil hectares e autoriza início da seleção dos beneficiários
04/11/2026 18h02
Visita de Lula ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, antecedeu a compra da fazenda que agora será destinada a 276 famílias em MS. Foto: Ricardo Stuckert/PR
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
ASSINANTES