Laudo necroscópico apresentado ontem pela Polícia Civil e Instituto Médico-Odontológico Legal (Imol) comprova que a arquiteta Eliane Nogueira de Andrade, de 39 anos, ainda estava viva depois de ser esganada e ser colocada no próprio veículo, que em seguida foi incendiado, na madrugada de 2 de julho na região do Tiradentes. Os exames periciais, divulgados durante coletiva à imprensa, também constataram que um fragmento de tecido encontrado grudado ao corpo da vítima tem o mesmo padrão da camisa utilizada pelo seu marido, o projetista de iluminação Luiz Afonso dos Santos de Andrade, de 42 anos, durante uma festa em que esteve junto com Eliane, horas antes do assassinato. Na coletiva, a polícia também apresentou passo a passo do principal acusado e da vítima (foto) até culminar no homicídio.
Versão da polícia para a cronologia do crime, apresentada ontem, começa às 20h, horário em que Luiz Afonso sai da loja. Às 20h15min, ele passa no prédio de Eliane, o edifício Ilha Bela, localizado na Avenida Mato Grosso, 1.290, para irem juntos a uma festa no salão Ondara, situado na região do Bairro Cidade Jardim. Ele deixa o carro estacionado nas proximidades do prédio, porém afastado para que os porteiros não vejam o veículo. O casal recoloca as alianças para manter as aparências durante o evento.
Às 20h30min eles chegam ao salão de festas e as primeiras fotos do casal são tiradas a partir de 21h39min. À 0h30min, Eliane e Luiz, um casal de amigos, mais outro amigo, decidem sair da festa rumo à Casa Colonial, localizada na Avenida Afonso Pena. Eliane e Luiz vão no carro da arquiteta, seguidos pelo amigo em outro carro. O grupo chega à Casa Colonial mas encontra o local fechado e à 0h40min, todos decidem ir embora. A partir deste horário, segundo a versão da polícia, o casal começa a discutir. Em depoimento à polícia, Luiz conta que houve agressões mútuas; ele sofreu escoriações no rosto e teria jogado Eliane no chão; a mulher teria ferido a boca durante a queda. A lesão na boca da arquiteta é constatada em exame do Imol.
À 0h55min o casal com quem haviam combinado jantar na Casa Colonial liga para o celular de Eliane. Ela atende com uma voz bastante desanimada, o que causa estranheza pois a arquiteta havia saído bastante animada da festa. Esse foi o último contato que se tem notícia de Eliane viva. Com base no laudo do Imol, a arquiteta foi esganada à 1h30min. Luiz Afonso ainda faz testes no corpo para verificar se sua esposa está viva e concluiu que não; começa então a planejar o que fazer com o corpo. Não entra em contato com amigos para pedir ajuda nem chama socorro.
Das 3h30min em diante, segundo a polícia, ele vai à loja de iluminação para buscar um galão de aguarraz e dois litros de thinner. Às 4h05min, conforme imagens registradas por circuito de TV da Sadan Conveniências, chega ao estabelecimento, localizado na Avenida Três Barras, a cerca de duas quadras da Avenida Eduardo Elias Zahran, com o Polo prata e desce sem Eliane. Às 4h07min, sai do local, já com fósforos e cigarros, e às 4h09min chega ao local do crime, nos fundos do Jardim Villas Boas.
Às 4h11min, ocorre a filmagem do carro em chamas na esquina das Ruas Manoel da Nóbrega com Felipe Camarão e vizinhos próximos ao local acionam o Corpo de Bombeiros. Às 4h28min, Luiz Afonso é filmado novamente, passando a pé pela calçada da mesma conveniência na Avenida Três Barras. Às 4h30min, ele passa pela Zahran e às 4h40min a Polícia Militar chega ao local do incêndio, acionando a Polícia Civil. Luiz Afonso segue caminhando pela Rua Rodolfo José Pinho, Vendas e desce pela Rua Joaquim Murtinho até ponto de táxi situado próximo ao cruzamento com a Rua Bahia, às 4h45min. Às 4h50min, é deixado pelo táxi nas proximidades do hipermercado Extra. Às 5h, o vigia da região da loja de Luiz avista o carro dele na loja e há gravação em vídeo às 5h05min, que mostra o projetista chegando à loja de iluminação.
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