E, passados mais de 12 meses, somente agora o Tribunal de Justiça começou a decidir se vai ou não processar também o prefeito Ari Artuzi, que, ao que tudo indica, tinha conhecimento e participava das negociações supostamente fraudulentas. De acordo com a Polícia Federal, ele chegou a ser presenteado com um carro de luxo pelos empresários acusados de ser os favorecidos em determinadas licitações. Se for mantido este ritmo, a tendência é que o mandato tanto dos vereadores envolvidos quanto do prefeito chegue ao fim e não se saberá se são ou não culpados. É provável, inclusive, que alguns deles sejam reeleitos e as ações continuem patinando em lugar e por razões incertas. Ao que tudo indica, o prefeito deve virar réu, pois cinco dos sete desembargadores já votaram neste sentido. Daí a haver alguma condenação ou devolução do dinheiro supostamente desviado existe gigantesca diferença.
O ritmo deste caso não chega a ser novidade. Outros tantos escândalos estão tendo destino semelhante: nenhum. E é justamente esta falta de conclusão dos casos que permite e incentiva a corrupção, não só aquela dos altos escalões, mas também entre os cidadãos comuns, que envolvem relações mais simples. Trata-se da velha e tão conhecida impunidade brasileira.
Depois de deflagrada a Operação Owari, de concreto mesmo constatou-se que boa parte dos envolvidos mudou de lado político. Adversários ferrenhos repentinamente viraram aliados. Foram mudanças tão misteriosas que é até perigoso elucubrar sobre as possíveis razões. A própria operação é repleta de mistérios. As mesmas pessoas e empresas que apareceram naquela ocasião fizeram “negócios” em outras cidades do Estado e sobre estas nunca recaiu nenhuma suspeita oficial por parte das autoridades, embora seja público e notório que esquemas descobertos em Dourados e região são comuns em 99% das prefeituras brasileiras.
Não que esta quase unanimidade justifique a impunidade. Pelo contrário, seria de se esperar que operações semelhantes à de julho do ano passado fossem rotina. Mas, como não são, chega a ser intrigante o fato de eventualmente alguma acontecer. Se neste caso específico a bandalheira fosse muito superior às demais, os envolvidos deveriam estar na cadeia. Como não estão e ninguém sabe se irão, fica a interrogação sobre as razões que motivaram aquela devassa. Estaria na mudança de lado político alguma explicação?
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