Enquanto olhos do mundo todo se voltam para o derramamento de petróleo no Golfo do México, uma lenta "poluição" invade silenciosamente ambientes costeiros. São diversos seres, entre eles algas, crustáceos e moluscos, carregados na água dos porões dos navios e que podem causar desastres ambientais quando chegam em portos estrangeiros, onde muitas vezes não encontram predadores naturais e se alastram.
Durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em Natal, cientistas que estudam o mar explicaram que ainda não há solução definitiva para esse problema, e que o Brasil tem vários exemplos de animais que já causaram transtornos ambientais.
A água, em geral captada nos portos onde os navios saem, é utilizada pelas embarcações para dar equilíbrio quando a viagem é feita sem carga. Ao chegar ao porto de destino, a chamada "água de lastro" é liberada, causando uma migração involuntária de milhões de seres vivos.
Conheça três espécies que invadiram as águas brasileiras
Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei)
Originária da Ásia, a espécie se espalhou pelos rios brasileiros chegando até o Pantanal. O animal se reproduziu sem controle e causa problemas nas usinas hidrelétricas, pois fica grudado nos equipamentos e atrapalha a passagem da água.
Siri-bidu (Charybdis hellerii)
O crustáceo veio dos oceanos Índico e Pacífico e se espalhou pelo litoral do Maranhão. Ele compete com os siris nativos, que servem de alimento e de renda para pescadores locais.
Coral-sol (Gênero Tubastraea)
Também veio dos oceanos Índico e Pacífico e hoje vive no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo considerado uma praga em Angra dos Reis. Apesar de ser muito bonito, ameaça o coral-cérebro, uma espécie local.