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Os "empata-moitas", do Pantanal a Belo Monte
Os "empata-moitas", do Pantanal a Belo Monte
O acesso à militância empata-moita é democrático, uma vez que podemos encontrá-los em quaisquer querências, partidos ou classes sociais. Fácil é também cultivar suas desvirtudes pois, afinal, comer, coçar e invejar é só começar.
Apresentemos, então, um empata-moita: numa chácara, o zelador está cuidando de uma espécie frutífera, recém-plantada e bem-recomendada. De sua ação lhe acarretará satisfação interna, prestígio junto a quem lhe incumbiu a tarefa e, tudo correndo bem, poderá saborear os frutos da planta. Eis que chega um vizinho de outra chácara, fazendo visita em plena segunda-feira e diz: “Ah!, eu se fosse você, não cuidava, pois dá azar! Quando essa planta der frutos, você perde o emprego! Diz que é”. Esta interferência, através do que chamaríamos de um “ mito paralisante”, é uma farsa, e tem como objetivo inibir a ação produtiva do outro. Entretanto, apresenta-se travestida de boas intenções, ou seja, impedir que o outro perca o emprego. Os traços mais marcantes de quem efetua tais interferências são a improdutividade, a desadaptação e a inveja, qualidades que não vivem uma sem a outra. A inveja é um sentimento que leva à cobiça paralisante, ou seja, ao desejo sobre o que é do outro, não para possuir ou usar o objeto cobiçado, mas apenas para impedir que o outro o use ou o usufrua. No exemplo que demos, o nosso “Segunda –feira”, vergado sob o peso da própria impotência, não suporta que o outro exiba a sua força e tenta paralisá-lo. A atuação invejo-paralisante pode se manifestar de forma mais sofisticada, através de justificativas que chamaríamos de “racionalizações”. A racionalização, um conceito psicanalítico, é qualquer justificativa racional e “politicamente correta”, mas que tem como objetivo apenas encobrir as verdadeiras e inconscientes motivações da “má ação” paralisante. É sua capa “politicamente correta”, pois, com ela, atrasa o mundo e continua “se achando”.
Um bom exemplo é o trabalho dos pantaneiros quando, buscando reencontrar a sustentabilidade econômica da região, promoveram a troca do capim grosseiro, e que só o fogo comia, por variedades de gramíneas palatáveis e nutritivas, bem ao gosto dos rebanhos e fauna. Os pantaneiros têm sido objeto de suspeições gratuitas e tentativas de impedimentos legais, por estarem “introduzindo variáveis exóticas” no Pantanal, sem que nunca os tais guardiães-paralisantes do meio ambiente tenham se dado ao trabalho de, tecnicamente, tentarem mostrar como e onde pastagens melhoradas impactaram negativamente a qualidade do ar, solo, condições sociais e fauna. Tudo seria muito fácil de ser verificado, pois os dados estão aí, a céu aberto, há 40 anos! Volta e meia reaparece um empata moita tentando prejudicar a sustentabilidade econômica e ambiental pantaneiras, com o subterfúgio de “proibir desmatamento”, pois troca de pastagens é definido como “desmatamento”, mesmo onde não haja mata nas savanas pantaneiras. Que tal lembrarmos então, leitor, da liquidação do Programa Pantanal, no governo Lula, pelas mãos da santinha Marina Silva? Alguém se lembra de algum protesto dos empata-moitas fantasiados como defensores do meio ambiente, face a esse crime contra o Pantanal? Será que hoje, como bem disse o então governador Zeca, se fôssemos construir agora a estrada de ferro que corta o Pantanal, os seca-pimenteiras permitiriam sequer que o assunto fosse discutido? Itaipu teria sido construída? Lula não está aí suando para manter o projeto da Usina de Belo Monte, que será tão importante para nosso futuro quanto o é hoje a Itaipu? Por ironia, Lula está provando de seu próprio veneno, pois é público e notório que no seu Partido, atrás do toco, tem ficado com verbas, holerite, trabuco e megafone, os que tentam paralisar e impactar a locomotiva da economia brasileira, que são nossas fazendas, grandes, pequenas ou médias. O financiamento de invasões e depredações, inclusive expansão de aldeias indígenas atropelando direitos seculares, bem como a irresponsabilidade e norteamento ideológico do Estado brasileiro diante dos abusos, mostra bem a penetração dos empata-moitas no aparelho estatal!
São coisas, leitor, que desde Caim e Abel ferem a humanidade, mas não a impediram de sair das cavernas e chegar à Lua. Portanto, vamos em frente que atrás vem gente, lembrando ainda que “quem cultiva a terra será saciado de pão, mas quem busca utopias, não tem juízo” (Provébios, XII, II).
Valfrido M. Chaves- Psicanalista, Pantaneiro [email protected]
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