Não se tem dúvidas de que o assunto é complexo e de difícil solução e qualquer iniciativa no sentido de eliminar seus efeitos são sempre bem-vindas. Basta, para tanto, lembrar de que população produz diariamente quase 700 toneladas de resíduos sólidos coletados e depositados no aterro em Campo Grande. O somatório, ao final de 12 meses, significa algo em torno de oito mil toneladas. No País, essa conta é ainda bem maior, aliás, estratosférica se contabilizarmos produção de 172 mil toneladas por dia.
Trata-se, pois, de uma decisão de grande alcance social, que contribuirá, sem sombra de dúvidas, para o encaminhamento e solução de um dos mais graves problemas urbanos, que vem pondo em risco a saúde de milhares e milhares de pessoas.
A apresentação do projeto de produção de energia a partir do lixo produzido pelo campo-grandense chega junto com Política de Resíduos Sólidos sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana. A nova regra, moderna e, espera-se eficiente, determina que União, estados e municípios elaborem estratégias para tratar do lixo, estabelecendo metas e programas de reciclagem, proibindo importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos. Além disso, embalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem a sua reutilização ou reciclagem. O projeto também proíbe lixões e traz para as indústrias a responsabilidade pelo descarte de produtos eletrônicos, pneus, lâmpadas fluorescentes, entre outros.
De posse dessa nova ferramenta jurídica e disposição administrativa, o prefeito Nelson Trad Filho tem em suas mãos meios para transformar o lixo em dinheiro, com produção de bionergia e investimentos em estrutura para implantação da coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos, e tirar da miséria centenas de famílias, que hoje vivem em condições desumanas e em ambiente degradadante.
Do outro lado, de nada adiantará esforço da administração municipal se a sociedade também não mudar hábitos. Basta caminhada para ver que quase não se tem respeito pelas ruas e calçadas, cobertas por dejetos de toda espécie. Há muitas causas para esse comportamento. Uma delas é o fato de ninguém se sentir responsável pela limpeza das suas próprias calçadas e cuidados com espaços públicos. Na cabeça de muita gente esta tarefa é sempre problema das autoridades. Outra razão é que não se perde nada agindo assim. Não há fiscalização nem multas pesadas para quem joga lixo na rua, prato cheio para “sujismundos”. Contudo, espera-se que a iniciativa do município venha servir de incentivo para mudança de hábito da população. São passos importantes, mas as coisas só vão mudar quando cada um souber o que deve fazer, e o que pode acontecer se descumprir suas obrigações.
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