Vários fatores são apontados como determinantes do grande aumento do preço da carne bovina: falta de gado para abate nos frigoríficos e consequente aumento das exportações e reajustes dos custos de produção. Mas é bom lembrar que todos os anos nesta mesma época a produção no campo é reduzida em até 30% por conta da estiagem e a consequente falta de pastagem. Na mesma proporção, os frigoríficos são obrigados a refazer escalas de abate e redimensionar comercialização nos mercados internos e externos.
Mas agora a situação é diferente: além da baixa oferta do período de entressafra, pecuaristas decidiram fechar as porteiras de suas propriedades, literalmente, e esperar por preços mais atrativos da arroba. Alegam que a cadeia frigorífica está nas mãos de apenas dois grandes grupos, o JBS e Marfrig e, por isso mesmo, ditam as regras que regulam o mercado de carnes em Mato Grosso do Sul. Em algumas regiões, como mostra reportagem neste jornal, produtores decidiram confinar o rebanho à espera de melhores preços. Em março a arroba custava R$ 72, hoje pode ser comercializada até R$ 85. Do outro lado, setor frigorífico considera a situação ameaça para manutenção da oferta do produto no mercado. Alertam para desabastecimento, caso não volte à normalidade. Para se ter ideia, duas plantas fecharam as portas neste fim de semana por falta de bovinos para abate.
Lembram que nesta época a ociosidade das plantas bate nos 30%, mas desta vez poderá atingir 50%, porcentual verificado no auge do Plano Cruzado do governo Sarney, nos anos 80. Na época, o País assistiu estarrecido ao confisco de bois em fazendas de Mato Grosso do Sul após longo período de boicote do setor pecuário por falta de preços.
Resta, no meio desse conflito econômico, ao pecuarista, aos frigoríficos e ao comércio varejista darem parcelas de contribuição, operando com margens menores de lucro no preço da carne. No entanto, diante dessa polêmica, cabe ao consumidor pesquisar preços, em busca de ofertas, e optar por outros tipos de carne, como a suína, do frango e do peixe de cativeiro.
Mais além, é preciso que o Governo determine ao BNDES interrupção das linhas bilionárias de créditos para o JBS e Marfrig até o restabelecimento do mercado regulador. Do contrário, se mantida tal situação, produtores rurais e consumidores vão pagar a conta (e alta) pela sua preferência em turbinar financeiramente esses dois grupos para oferecer carne ao exterior e, de quebra, faltar na mesa do brasileiros.
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