O JBS fechou o segundo trimestre respondendo por 50% das exportações de carne bovina do Brasil, uma participação que limita crescimento dessa fatia no futuro, e prevê maiores possibilidades de avanço nos Estados Unidos, especialmente com sua unidade de frangos.
A avaliação foi feita nesta segunda-feira pelo presidente do JBS, Joesley Mendonça Batista, em teleconferência a analistas para comentar os resultados divulgados na noite de sexta-feira. A empresa teve lucro líquido de R$ 3,7 milhões no segundo trimestre de 2010, contra R$ 125,9 milhões no mesmo período do ano passado.
"No Brasil chegamos a 50% no market share... saímos de 37% para 50%... Nos EUA, tem bastante ainda a aumentar... A Pilgrim?s (Pride) tem um forte plano de retomada, a gente já anunciou a reabertura de três plantas, temos mais duas para serem reabertas...", declarou.
Para o segundo semestre, Batista disse que, no geral, a empresa prevê exportar um "pouco mais" que no primeiro semestre.
Com um crescimento de 37% nas exportações no segundo trimestre ante o período anterior, para US$ 2,3 bilhões, os resultados financeiros do JBS foram impactados negativamente pela elevada demanda de capital de giro atrelada às vendas externas, além da volatilidade cambial.
As exportações do JBS responderam por 29% da receita total da companhia, de R$ 14 bilhões no segundo trimestre.
O presidente do JBS USA, Wesley Batista, destacou a força das operações americanas, com a retomada de mercados importantes, como a Coreia do Sul.
"A gente acha que o crescimento da demanda não necessariamente vai estar nos EUA ou Europa, vai estar na Rússia, no Oriente Médio... o crescimento de exportação vai continuar, a gente verá volumes maiores trimestre contra trimestre."
A empresa anunciou ainda já ter capturado sinergias importantes após as aquisições no ano passado da Bertin e Pilgrim?s, estimadas em US$ 154 milhões e US$ 150 milhões, respecitvamente.
Aquisições
Joesley afirmou que na medida em que o mercado se acalma a empresa começa a analisar novas negociações para expandir a sua plataforma global de distribuição direta, uma meta da empresa para ganhar margens nos negócios.
Mas, sobre aquisições de porte, o presisente do JBS afirmou que a companhia não está em nenhum processo de negociação.
"Caso o mercado venha a ver aquisição relevante, vai ser onde já operamos... nosso foco tem sido realmente consolidar o que temos e não pretendemos iniciar em outra plataforma."
Inalca
Sobre um processo de arbitragem que a companhia pediu em relação a discordâncias com o sócio da Inalca, na Itália, Joesley afirmou que o JBS não está conseguindo exercer o seu direito de ter acesso às finanças da empresa.
"Eles (sócios) têm direito de indicar o CEO, e nós o CFO, o financeiro seria conosco, contabilidade, auditoria interna... mas o grande problema lá é que eles não deixam o cara trabalhar...", afirmou.
"Por cautela decidimos não incorporar no balanço os resultados da Inalca, não aprovamos o balanco do trimestre passado, e não vamos aprovar... enquanto não deixarem a gente olhar a contabilidade."