E, dos 586 motoristas flagrados em cinco dias, 301 passaram com velocidade acima do permitido, que é de 50 quilômetros por hora. O número certamente não é maior porque no local existe um "gigantesco quebra-molas", que força condutores a reduzir a velocidade, sob pena de danificarem seus veículos. Nos outros 69 locais que devem receber o mesmo equipamento certamente não haverá este tipo de barreira e, como a ampla maioria dos condutores não sabe que além de "olho vivo", existe radar que afere a velocidade, a quantidade de flagrantes certamente será muito maior.
Longe de insinuar que possa estar sendo implantada uma nova "indústria da multa", o fato é que em frente à nova rodoviária, onde as multas só começam a valer a partir do próximo dia 4, até que foi colocada uma faixa indicando a existência do guarda eletrônico. Esta, contudo, não durou mais de três dias. Depois disso, tudo que restou é uma discreta placa de trânsito, destas que existem em todas as vias, indicando que o limite é de 50 quilômetros por hora. Ou seja, mais da metade dos que foram flagrados cometendo irregularidade na Gury Marques certamente não sabiam que estavam fazendo algo de ilegal, pois simplesmente não estão cientes da possibilidade de serem multados. Não restam dúvidas de que os condutores cometeram a irregularidade, pois as fotos deixam claro. Porém, isto não justifica que sejam instaladas verdadeiras armadilhas. Nos radares antigos há farta sinalização. Então, não existe justificativa para que neste caso não seja assim. Se num local com quebra-molas são 60 flagras diários por excesso de velocidade, num semáforo "comum", surgirá verdadeira máquina de fazer dinheiro, a não ser que a sinalização seja intensificada.
Não restam dúvidas de que existe evidente necessidade de se aumentar o rigor na fiscalização em Campo Grande, pois a quantidade de acidentes não para de crescer, especialmente na Gury Marques. Porém, nada justifica que "pegadinhas" comecem a ser instaladas. As autoridades alegam que a característica principal da "indústria da multa" era que as prestadoras de serviço recebiam percentual daquilo que "arrecadavam" e hoje recebem valor fixo (quase R$ 3 mil por faixa de rolamento). Porém, para aquele que paga, pouca diferença faz para quem vai o dinheiro. Absolutamente nada justifica a falta de transparência e de ampla sinalização.
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