Nesta época de efervescência político-eleitoral – cada vez mais diferente daquelas que vivenciei no passado não tão remoto, onde ideias e programas despertavam mais interesse do que o vil metal, que, hoje, circula libertino e despudoradamente – sente-se no ar uma frustração crescente na opinião pública, a frustração que deságua em alguns episódios cívicos como o da vitoriosa Lei da Ficha Limpa. A impressão é de que o eleitor irá às urnas para cumprir tão somente um dever legal, draconianamente imposto. O eleitor parece não sentir-se motivado, aí está a caveira de burro, ameaçadora, tentando impedir os passos da cidadania.
A campanha eleitoral em nível de Estado caminha no ramerrão de sempre: o que ele fez, ou deixou de fazer, quando se trata para o cargo de governador; para o legislativo, também o comércio de quem dá mais em termos de cotas de combustível a título de ceder vidros traseiros de veículos particulares para expor a “fotogênica” figura de sorridentes candidatos; e outras vantagens comprometidas “no escuro”...
No campo federal, a participação das três principais candidaturas não deixa marcas para entusiasmar o eleitorado, além do que delas já se sabia: duas tem luz própria, pois capacidade, experiência e teste nas urnas comprovados; a terceira, apenas iluminada por potente farol instalado no Palácio do Planalto e já cunhada pela dúvida de onde governaria, se de Brasília, ou da cidade paulista de São Bernardo do Campo, onde residirá o seu guru que a tem na sua garupa.
Creio que o eleitorado esperava mais dos candidatos em termos de programas de ação rápida e de planejamento consistente para o futuro. Dissessem de forma categórica sobre as almejadas reformas político-eleitoral, da tributária, da fiscal, do pacto federativo, esse tão necessário para efetiva autonomia financeira dos estados e municípios – como preconiza a Carta Magna. Que manifestem de forma categórica e convicta sobre questões de ordem ética e moral, tal como a do aborto, preocupação máxima de mais de dois terços da sociedade brasileira eminentemente cristã.
Sobre esse aspecto, é oportuna a ironia do jornalista Tutty Vasques (ESTADÃO, 11.08.10): “a política brasileira vive um momento parecido com a campanha da seleção na África do Sul. Faltam imaginação, criatividade, ousadia, irreverência... Os candidatos andam tão previsíveis quanto um pontapé do Felipe Melo ou de qualquer problema físico do Káka”.
É possível que no curso da atual campanha os candidatos apresentem planos estratégicos de desenvolvimento político, econômico e social que venham convencer o eleitorado, o qual, hoje, em clima de desinteresse e muito de decepção só enxerga à frente uma caveira de burro!
*Ruben Figueiró de Oliveira, suplente de senador.
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