Os índios guaranis e caiuás estão em pé de guerra na região de fronteira com o Paraguai. Ontem um grupo ocupou parte da Fazenda São Luiz, no município de Paranhos. Naquele local no ano passado dois indígenas desapareceram e até agora não foram encontrados. Eles podem ter sido mortos por jagunços contratados para proteger áreas rurais. Além de pedirem por justiça os índios exigem a demarcação de áreas na região.
Logo pela manhã agentes da Polícia Federal, da Força Nacional e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) foram deslocados para a área para evitar conflito entre índios e fazendeiros. A informação era de que a situação era bastante tensa e de que os indígenas estariam dispostos a resistir a qualquer tipo de retaliação de fazendeiros ou mesmo dos policiais.
A área onde parte do grupo ficou pertence a Fazenda São Luiz, perto da divisa com o Paraguai. Algumas famílias atravessaram a cerca e permaneceram na área até o final da tarde. Os policiais que foram ao local foram negociar saída pacífica e para dar proteção aos indígenas e a uma equipe da Funai liderada pela coordenadora da instituição em Amambai, Arlete Pereira de Souza.
Uma das reclamações dos indígenas refere-se à falta de terra para que possam fazer cultivo de lavouras para subsistência. São cerca de três mil guaranis e caiuás vivendo numa área de 2.118 hectares da Aldeia Pirajuí em Paranhos. Conforme os estudos antropológicos realizados na região, a dimensão do território indígena poderia ser ampliado caso houvesse as desapropriações, já que as grandes áreas na região são ocupadas por fazendeiros, alguns deles nem moram no município.
Outra questão que é motivo de protesto é a violência da qual os índios estariam sendo vítimas. Eles reclamam da falta de interesse das autoridades em elucidar o desaparecimento de dois indígenas desde o dia 31 de outubro. Os professores índios Genivaldo Vera e Rolindo Vera teriam sido mortos por supostos jagunços a serviço de fazendeiros da região. O caso até agora não foi elucidado e nem os corpos encontrados.
Preocupado com a situação, o procurador da República, Thiago dos Santos Luz, que atua em Ponta Porã, à época, solicitou o apoio do Exército Brasileiro, das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros e até da Prefeitura de Paranhos, para auxiliar na busca dos corpos, mas eles não foram localizados. O procurador considerou o caso como de ?extrema gravidade?.