Cidades
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Comédia mostra que texto centenário continua atual
Comédia mostra que texto centenário continua atual
Um grupo teatral paulistano, que trafega entre textos clássicos e contemporâneos, mostra amanhã e domingo, no Teatro Glauce Rocha, um dos seus maiores sucessos em cinco anos de carreira. O Núcleo Experimental, dirigido por Zé Henrique de Paula, encenará “Cândida”, de Bernard Shaw, depois de dois anos e meio de carreira, passando por palcos de São Paulo, Rio de Janeiro e pelo Nordeste. “Estreamos o espetáculo em maio de 2008 e a nossa política é de ficar bastante tempo em cartaz, mostrando o nosso trabalho para públicos diferentes. É tão difícil montar uma peça, que depois de pronta nosso objetivo é circular o máximo possível”, explicar Zé Henrique, responsável ainda pela direção de “Senhora dos afogados”, de Nelson Rodrigues, “As troianas – vozes da guerra”, baseado na criação de Eurípedes, e “O livro dos monstros guardados”, de Rafael Primont.
“Cândida” faz parte da linha de textos que o diretor qualifica como de “referência no teatro”, que o grupo abraça desde sua criação, paralela à encenação de criações contemporâneas. Escrita no fim do século 19, na Inglaterra, conta a formação de um triângulo amoroso. “Trata-se de uma comédia que mostra um tipo de situação comum em histórias clássicas da literatura, da televisão. No caso de Bernard Shaw, faz uma série de observações que vão além desse fato. Ele traz elemento da religião, da política, mostra como o capitalismo está inserido nos relacionamentos”, destaca.
O diretor aponta que muitos se surpreendem pela contemporaniedade do texto, que tem mais de 100 anos. “Temas que ainda não perderam seu impacto no cotidiano das pessoas”. Na trama, o adultério a ser praticado pela personagem Cândida (Bia Seidl) – a devotada esposa do reverendo Morell, um pastor anglicano de ideologia socialista – está quase sendo revelado. Ela se encanta pelo aristocrata Marchbanks, um jovem poeta.
Ironia e irreverência marcam os personagens. Além dos três personagens que formam o triângulo amoroso central, completam a história o pai de Cândida, o capitalista insaciável Burgess; a secretária do reverendo Morell, Prosérpina, e o assistente do pastor, reverendo Lexy Mill. A natureza da fé religiosa, o embate socialismo versus capitalismo, a decadência da nobreza e a Londres da era vitoriana também estão presentes na obra.
A montagem busca, esteticamente, a limpeza e a síntese, com cenografia enxuta e funcional, figurinos sóbrios em paleta de cores reduzida, música e iluminação de natureza narrativa e cenográfica. “Há um foco altamente dirigido para o trabalho de interpretação dos atores e para a descoberta de uma linguagem cênica que ‘revele’ o espírito de Shaw, um autor com carpintaria teatral impecável e sofisticação de pensamento. O ator, nesse sentido, é a peça fundamental”, explica Zé Henrique.
O grupo tem um grupo de atores fixo que participa das montagens, e sempre um convidado. No caso de “Cândida” é a atriz Bia Seidl. Após passar por Campo Grande, a montagem retorna à temporada de São Paulo, ficando até o fim do ano em cartaz.
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