Cidades
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Desafios na educação em Saúde
Desafios na educação em Saúde
Erros médicos, negligência, carência de profissionais especializados e falta de atenção são reclamações frequentes. Paralelamente ao avanço tecnológico, observa-se a queda na qualidade dos serviços oferecidos e as novidades quase nunca são utilizadas diretamente em benefício dos mais carentes ou da melhoria do atendimento público de saúde. Apesar da notória abnegação de vários profissionais, nota-se um crescente distanciamento de muitos outros em relação ao compromisso de cuidar. É importante reforçar que este problema não é generalizado, mas se repete cada vez mais frequentemente. Esta situação nos obriga, educadores na área de Saúde, a buscar novas estratégias para o enfrentamento de um velho desafio: o de incutir na formação de novas gerações de médicos a preocupação com o outro.
Em um cenário tão competitivo de mercado de trabalho e tantas exigências profissionais, o compromisso com a alteridade, embora seja uma questão óbvia, fica relegado ao segundo plano. A premissa é válida para todas as profissões, mas para as áreas de Saúde e Educação talvez seja um ponto mais sensível na medida em que se busca falar à geração atual, sobre o respeito à vida e ao bem comum.
Os estudantes da área de Saúde, em geral, estão imbuídos desses valores quando ingressam no ensino superior. Têm a expectativa de que podem fazer a diferença. E realmente podem. Mas a dureza dos hospitais nem sempre colabora.
Sem que se deem conta, os jovens se deixam envolver na engrenagem de um sistema que sufoca e automatiza. Situações extremas, maus exemplos de quem menos se espera, falta de ambiente para refletir sobre os acontecimentos trazem como resultado o endurecimento da alma. Por isso, cabe aos educadores prepará-los para a realidade e os estimular a pensar e amadurecer sobre o sentido de suas escolhas e o seu papel para promover mudanças. Estimular a alteridade e evitar que o ânimo e a esperança de fazer um mundo melhor se esvaia devem estar entre os principais objetivos do educador na área de Saúde em um processo humanizador. A formação de qualidade deve ser uma experiência transformadora de vida, criativa e capaz de desenvolver as competências do aluno em prol da coletividade e do bem-estar social. E todos os que optarem pela área da Saúde têm de ter a consciência de que estão se engajando em uma luta pelo bem do próximo, onde já não tem lugar o interesse próprio ou qualquer manifestação de comportamento autocentrado. O profissional da Saúde é um agente do Bem. A ele acorrem, ainda que através do nosso precário sistema público, pessoas que sofrem, na esperança da cura ou da mitigação de seus males. O profissional da Saúde também é um profissional da Esperança. A escola não pode voltar as costas para esta realidade.
A grande inovação nesta área é olhar para o outro de forma integral, entendendo-o como um ser complexo, com medos e desconhecimento acerca de seu problema. A novidade é caminhar junto com o paciente e fazê-lo acreditar que, em parceria com o profissional de saúde, torna-se possível prevenir, ou, pelo menos, entender sua doença com intuito de conviver com ela e até superá-la, independentemente de qual seja.
Abílio Aranha, é coordenador geral de ensino da Faculdade de Medicina de Petrópolis e da Faculdade Arthur Sá Earp Neto.
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