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De volta às origens

De volta às origens

Redação

07/09/2010 - 21h13
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Sílvio Andrade, Corumbá

Preservar as manifestações culturais do Pantanal, como o cururu e o siriri, mantidas por pessoas com mais de 70 anos, começa a ser planejada em Corumbá, berço da cultura genuinamente mato-grossense. Envolverá as escolas da rede pública e as comunidades que deixaram de celebrar as brincadeiras ao som da viola de cocho e a divertida dança comparada ao fandango do litoral brasileiro, uma quadrilha pantaneira.
Integrando o folclore do Centro-Oeste, o cururu e o siriri são originários das culturas indígena e afro. Foram difundidas em Mato Grosso – de Cuiabá e Poconé a Corumbá –, rompendo o isolamento entre norte e sul. A divisão territorial do Estado, em 1977, foi uma ruptura aos laços culturais, onde Corumbá desintegrou-se da região ligada historicamente e suas festas, por algum momento, perderam o clamor popular.
“Nossa cultura ficou à deriva, enfraquecida pela divisão (territorial)”, conta a ladarense Heloísa Urt, presidente da Fundação de Cultura do Pantanal. Ela coordena um projeto que visa devolver o cururu e o siriri à sua origem – à comunidade –, envolvendo os familiares dos cururueiros e siririeiros para garantir sua perpetuação às futuras gerações. Do contrário, o folclore pantaneiro estará em perigo de extinção.
Não se trata de resgatar, mas fortalecer manifestações que foram perdendo sua identidade e espontaneidade por falta de intercâmbio com o norte (Mato Grosso) e desestímulo das famílias tradicionais que cultuam o fazer da viola e o dançar do siriri. Cururueiro mais antigo de Corumbá, aos 90 anos, mestre Agripino Magalhães não conseguiu passar sua sabedoria aos filhos em virtude de desinteresse coletivo.

O recomeço
A redescoberta destas manifestações ignoradas pelo novo Estado e seus governantes começou com o Grupo Acaba, dos irmãos Lacerda, filhos de Corumbá. Nos anos 80, os discos gravados pelo Acaba incluíram músicas desse universo folclórico pouco conhecido, com a participação de cururueiros. Depois, em 2003, o Ministério da Cultura reconhecia o registro da viola de cocho como patrimônio imaterial.
“Deixamos de dançar o siriri nas casas e os grupos foram se acabando por falta de incentivo, perdendo uma identidade”, diz Heloísa Urt. “Com o registro da viola, o poder público e a sociedade tomaram as rédeas e estamos reorganizando a comunidade”. Este ano, Corumbá organizou o primeiro encontro de cururueiros e siririeiros. Mais de 20 pessoas da cidade e do Pantanal participaram, se reintegrando.
O retorno do cururu e do siriri ao fundo dos quintais – as manifestações hoje ocorrem apenas nos palcos, em eventos, sem a espontaneidade e participação efetiva da comunidade – passa por uma reorganização dos grupos, cujo processo se iniciou com o encontro dos tocadores e dançarinos. A exemplo de Cuiabá, onde uma federação e associações de 80 grupos mantêm viva a tradição secular.

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