As projeções de inflação calculadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na reunião da semana passada foram reduzidas em relação aos cálculos realizados em julho e estão mais próximas da meta de 4,5% fixada pelo governo.
As previsões fazem parte da ata do Copom divulgada nesta quinta-feira. Na semana passada, o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 10,75% ao ano.
A decisão foi unânime e interrompeu o último ciclo de aperto monetário do governo Lula. A taxa Selic começou a subir em abril. Na época, estava em 8,75% ao ano, menor nível da história recente.
Segundo o BC, desde a última reunião, reduziram-se os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno. Isso se deve à reversão de parte dos estímulos introduzidos durante a crise de 2008/2009 e ao aumento dos juros, segundo o BC.
"Também contribuiu para isso o fato de que, nesse mesmo período, se elevou a probabilidade de desaceleração, e até mesmo de reversão, do já lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3. Por conseguinte, a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica revela viés desinflacionário", diz o Copom na ata.
No cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,75 e da taxa Selic em 10,75% ao ano, a projeção para a inflação de 2010 caiu em relação ao valor considerado na reunião do Copom de julho, mas ainda se encontra acima do valor central da meta de 4,50% --o BC não divulga o número exato.
A mesma avaliação foi feita com base no cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas na pesquisa Focus junto ao mercado financeiro.
Para 2011, nos dois cenários, a projeção também foi reduzida em relação ao valor considerado na reunião do Copom de julho, e agora se encontra "ao redor" do centro da meta.
Em relação ao primeiro semestre de 2012, a projeção recuou no cenário de referência e subiu no cenário de mercado. Nos dois casos, se encontra "em torno" da meta.