Cidades

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Impunidade é um dos desafios no combate ao trabalho escravo no Brasil, diz ONU

Impunidade é um dos desafios no combate ao trabalho escravo no Brasil, diz ONU

Redação

14/09/2010 - 23h45
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      O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre trabalho escravo no Brasil, apresentado hoje (14), diz que a impunidade é um dos desafios do governo no enfrentamento desse tipo de crime. Segundo a relatora especial sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian, apesar dos avanços em conhecimento e implementação de políticas contra o trabalho escravo, o país ainda deixa a desejar em relação à punição dos responsáveis.

 

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, elogiou o documento, mas disse que a punição está na esfera do Judiciário e que os poderes têm feito parcerias para aperfeiçoar a aplicação de penas aos culpados por explorar mão de obra análoga à escravidão. ?Esse tem sido o mais permanente esforço da secretaria. Fizemos oficinas com cerca de 100 juízes, desembargadores e procuradores para especialização em relação ao trabalho escravo. Estamos preparando o Judiciário para um esforço novo nesse enfrentamento".
                
                O ministro endossou a recomendação feita pela relatora da ONU para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/2001, que prevê, entre outras medidas, o confisco de terras onde houver trabalho escravo. ?Essa emenda tramita há mais de 15 anos. Consideramos que possa ser o instrumento para dar o empurrão final para expurgar essa mancha da democracia brasileira?.
                
                Por causa do ano eleitoral ? que reduz o ritmo de votações no Congresso ? o ministro descarta a possibilidade de análise da PEC ainda este ano. Segundo Vannuchi, a resistência em aprovar o projeto reflete a convivência com um passado ?retrógrado, anticonstitucional e antidemocrático?, que remete aos tempos da escravidão.
                
                ?Durante séculos, o centro da sociedade brasileira foi o trabalho escravo. Isso deixa marcas muito profundas e ainda há setores conservadores que insistem em deslegitimar a ação de quem fiscaliza e combate o trabalho escravo?, comparou.
                
                Além do papel dos Três Poderes, o ministro disse que o setor empresarial também deve assumir responsabilidade pelo trabalho digno. Segundo Vannuchi, mais de 100 empresas ? que representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB) ? já assinaram o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. ?Mas ainda enfrentamos resistência de setores que deveriam ser a vanguarda desse enfrentamento, como a agricultura?.

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