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Pantanal: desmatamento ameaça nascentes

Pantanal: desmatamento ameaça nascentes

Redação

20/09/2010 - 11h27
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Imagine um prato. A Bacia do Alto Paraguai (BAP) pode ser comparada a um: no fundo, o Pantanal, maior planície alagável do planeta. Nas bordas, os planaltos que o circundam, tanto do lado brasileiro quanto boliviano. Nesses planaltos, encontra-se a maior parte das nascentes que alimentam o Pantanal; a água nasce e escorre até o “fundo do prato”, colaborando com as chuvas nos periódicos processos de inundação.
Agora a má notícia: organizações não governamentais brasileiras elaboraram um relatório sobre a cobertura vegetal da BAP, no período de análise de 2002 a 2008. Nele, consta o preocupante dado de que apenas 42% do território total da parte alta conserva a cobertura vegetal natural. Na planície, os números são mais animadores: quase 87% do território ainda preservam a vegetação original.
Com a divulgação desses dados, emite-se um alerta: o Pantanal não pode ser encarado de maneira isolada: impactos na parte alta significam impactos na parte baixa, justamente por causa da localização das cabeceiras dos rios que abastecem a planície.
O relatório, entregue por representantes das ONGs em mãos ao governador André Puccinelli na última quarta-feira, indica a pecuária e a agricultura como principais responsáveis pela supressão da cobertura vegetal original do planalto.
Também há a prática da pecuária na planície, mas ali ela apresenta um caráter mais extensivo, exercendo menor pressão sobre a cobertura vegetal original. Segundo o relatório, isso mostra que é possível a convivência entre a produção econômica e o meio natural, adaptando-se às suas condições e gerando pouco impacto sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.
As organizações responsáveis pela elaboração do relatório, Conservação Internacional (CI), Ecologia e Ação (Ecoa), Fundación Avina, Instituto SOS Pantanal e WWF-Brasil, acreditam que o estudo pode contribuir para o planejamento da ocupação territorial da Bacia e oferecer subsídios para a elaboração de Planos de Recursos Hídricos e do Zoneamento Econômico Ecológico da região. A promessa do governador é que o estudo será levado em consideração. “Trazer conhecimentos novos sobre o Pantanal faz com que tenhamos mais possibilidades de preservá-lo”, garante Puccinelli.



Números
Planalto
Apresenta 41,8% da cobertura vegetal original
43,5% da área é ocupada pela pecuária
9,9% é ocupada pela agricultura
De 2002 a 2008, 8.796 km² de vegetação natural foram convertidos para uso antrópico, o que corresponde a 4% da área do planalto e a 9,7% da cobertura vegetal natural do mesmo

Pantanal
Apresenta 86,6% da cobertura vegetal origina
11,1% da área é ocupada pela pecuária
0,3% é ocupada pela agricultura
De 2002 a 2008, 3.666 km² de vegetação natural foram convertidos para uso antrópico, o que corresponde a 2,4% da área da planície e 2,9% da cobertura vegetal natural da mesma

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