O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri de Campo Grande, acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o procurador de Justiça aposentado Carlos Alberto Zeolla. O réu é acusado de matar o sobrinho, Cláudio Zeolla, 23 anos, no dia 3 de março de 2009. O crime aconteceu na calçada de uma academia de ginástica, na Rua Bahia, e teria sido motivado por vingança. Na época, Zeolla contou à polícia que o sobrinho havia agredido Américo Zeolla (pai do procurador), que faleceu no início desse ano por problemas de saúde.
O juiz explica em seu despacho que o processo estava parado desde abril deste ano, porque o advogado de defesa de Zeolla, Ricardo Trad, alegou insanidade mental do acusado. A perícia feita por ordem da Justiça constatou que ele poderia responder pelo crime, mas a defesa contestou e encomendou um laudo do psiquiatra conhecido nacionalmente Guido Arturo Palombo.
O novo laudo, anexado ao processo no dia 14 de setembro, afirma que Zeolla é semi-imputável, ou seja, tem consciência parcial de seus atos, e apresenta alta periculosidade social. Levando em conta a decisão, o juiz decidiu retomar o andamento da ação, afirmando que há “prova da materialidade dos delitos imputados ao acusado”. Diz, também, que existem “indícios suficientes da autoria”. O magistrado cita a existência de confissão extrajudicial feita pelo denunciado.
A defesa de Zeolla recebeu prazo de 10 dias para apresentar defesa à acusação feita pelo MPE.
Aposentadoria
No mesmo ano em que cometeu o crime, o procurador foi aposentado por invalidez e sua aposentadoria publicada no Diário de Justiça no dia 18 de dezembro de 2009. Hoje, Zeolla recebe, por mês, o salário integral de R$ 23 mil. Ele está internado em uma clínica psiquiátrica particular, em Campo Grande, e continua sob acompanhamento médico.
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