Cidades

CASO ELIZA

Bola volta a passar mal durante audiência

Bola volta a passar mal durante audiência

Redação

08/10/2010 - 10h38
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Um dos réus do processo que apura a morte da ex-namorada de Bruno Eliza Samudio, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, voltou a passar mal durante audiência realizada no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde corre o processo, que começou por volta das 10h desta sexta-feira. Bola é atendido no próprio fórum, em uma sala reservada.

O primeiro depoimento, que começou por volta das 10h20, é do menor primo de Bruno que denunciou seu envolvimento na morte de Eliza. Além dele, a juíza Marixa Fabiane ouve ainda outras cinco testemunhas arroladas pela acusação, por meio do promotor Gustavo Fantini: o delegado da polícia de Minas Júlio Wilke, que participou das investigações e é marido da delegada Alessandra Wilke; um casal de caseiros que trabalhava no sítio do goleiro; e o policial Sirlan Versiani, um dos primeiros a receber a denúncia de que Eliza tinha sido morta.

Estão presentes os nove réus do processo: além do goleiro Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão; o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; Sérgio Rosa Sales; Elenilson Vitor da Silva; Flávio Caetano de Araujo; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; Dayanne de Souza; e a amante de Bruno Fernanda de Castro. A mãe de Eliza, Sônia Samudio, acompanha a audiência, de frente para os acusados.

Como o goleiro passou mal e vomitou durante a audiência de quinta-feira, o advogado dele, Ércio Quaresma, lhe emprestou uma camisa para que ele possa se trocar caso passe mal novamente. O goleiro apresenta bom estado de saúde nesta manhã. As rés Fernanda e Dayanne, no entanto, têm aparência abatida.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
 

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