O Programa Monumenta, do Ministério da Cultura, suspendeu verba de R$ 1,2 milhão destinada à recuperação de um dos prédios históricos de Corumbá, o Hotel Internacional. O dinheiro seria destinado diretamente à prefeitura, que não cumpriu prazos e ainda realizou licitação da obra condenada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financia o programa.
O recurso corresponde ao último repasse do Monumenta a Corumbá, uma das cidades beneficiadas pelo programa a partir dos anos 90. Com o Monumenta, que atua em centros históricos protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi restaurado o Casario do Porto, tombado em 1993, e reurbanizado o porto geral, hoje um dos “points” da cidade, fundada em 1778.
A coordenação nacional do Monumenta e a superintendência regional do Iphan confirmaram que a verba de R$ 1,2 milhão foi cortada por prazos não cumpridos e erros no processo licitatório, em descumprimento a exigências do banco. A prefeitura autorizou o início da recuperação do prédio mesmo sem a prévia autorização do BID e os serviços foram paralisados pela empreiteira.
Contesta
A subsecretária municipal de Obras e Projetos Públicos e responsável pela execução das obras, Tânia Dantas, não atendeu as ligações da reportagem para falar sobre o assunto. Estaria em reunião, segundo um funcionário. A prefeitura, contudo, tenta resgatar o dinheiro contestando o parecer técnico do BID. Outra saída seria política, com o apoio da bancada federal.
O Hotel Internacional, construído no início do século 20, situa-se na Rua Frei Mariano. Seus registros de hóspedes incluem nomes ilustres como os ex-presidentes Getulio Vargas e Franklin Roosevelt (EUA). O prédio é anexo a outro hotel histórico, o Galileu, de 1907, que será transformado em centro de atendimento ao turista. Ameaçando desabar, o Galileu recebeu reforma emergencial em 2008.
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