O juiz da Vara da Infância e Juventude de Campo Grande, Danilo Burin, defende que o adolescente infrator seja submetido a tratamento para combate à dependência química enquanto estiver recluso numa Unidade Educacional de Internação (Unei). De acordo com o magistrado, existem cerca de 100 crianças e adolescentes internos em Campo Grande e pouco se faz em prol da recuperação destes menores.
"Cerca de 80% dos meninos que passam pelas minhas mãos são usuários de drogas. Se perde um tempo precioso enquanto eles estão internados e não sei como resolver isso", admitiu o juiz Danilo Burin, explicando que o período de internação seria um ótimo momento para trabalhar na recuperação do jovem.
O magistrado lembrou que o Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Droga (Caps AD) oferece tratamento gratuito, mas fora isso as demais instituições são pagas e muitas famílias não têm condições de pagar um salário mínimo por mês para manter o quimiodependente numa clínica de recuperação.
"Não se faz absolutamente nada e isso que me irrita. Apenas alguns gatos pingados se esforçam. O Governo oferece curso profissionalizante, mas não faz nada com relação ao vício. Como é que vai profissionalizar um viciado?", questionou Danilo Burin, sugerindo que entidades particulares apresentem projetos para conseguir recurso público e assim, ter condições de atender as famílias carentes.
Para o magistrado, depois que o menor infrator deixa a Unei, certamente ele volta a consumir entorpecentes. Além disso, o Governo não acompanha ou mantém contato permanente com o adolescente depois que ele é liberado da unidade, uma espécie de liberdade assistida. "Essa é outra falha gravíssima do Estado", apontou.