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Neste ano, 345 médicos já foram agredidos em postos

Neste ano, 345 médicos já foram agredidos em postos

Redação

30/10/2010 - 07h00
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Todos os dias pelo menos um profissional de saúde que atua nos postos 24 horas de Campo Grande é vítima de agressão por parte de pacientes. O dado consta na pesquisa feita, no período entre 1º de janeiro e 23 de setembro desse ano, pelo médico clínico-geral e integrante da Comissão Ética da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Renato Figueiredo. Nesse período ele encontrou 345 registros no livro de ocorrências dos postos. Mas, segundo ele, este número pode ser cinco vezes maior levando em conta as subnotificações. "Muitos trabalhadores não relatam porque a agressão é tão constante que eles já acham comum. Muitos se acostumaram e outros têm medo de denunciar", explicou.

Renato contou que já foi vítima de agressão, mas apenas verbal e o que o motivou a fazer a pesquisa foi quando soube que uma colega de trabalho, que estava gestante, havia sido agredida com socos e tapas por um paciente embriagado. "Isso me deixou completamente triste e por isso decidi fazer a pesquisa para pedir providências às autoridades", disse. O médico fez questão de ressaltar que a maioria das agressões é praticada por bandidos, integrantes de gangues e usuários de drogas. "Nenhum pai de família, que trabalha e que sabe que nós também estamos trabalhando para atendê-los da melhor forma, agride o profissional".

No último dia 23, o jovem Rafael Neves Alves, 28 anos, foi detido pela Polícia Militar após tentar agredir enfermeiros e médicos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino. O rapaz estava com ferimentos por todo o corpo e foi atendido assim que chegou, mas na sala de emergência começou a agredir médicos e enfermeiro dizendo, inclusive, que era da facção criminosa PCC. O rapaz foi contido e preso por equipes da PM.

Estratégias
Como estratégias para sanar o problema o médico propõe a presença de policiais militares nas unidades de saúde para evitar que as agressões ocorram. "Queremos policiais e não guardas municipais que não têm poder de polícia. O maior patrimônio que temos nas unidades de saúde é a vida de funcionários e pacientes, não as cadeiras e estrutura física que os guardas municipais tem o dever de cuidar".

Os médicos ainda pretendem realizar campanhas visando a aproximação da população. "Queremos trabalhar juntos com os pacientes passando orientações de saúde para eles. Nossa intenção é atender muito bem a todos e ter a satisfação deles. Não queremos mais ser vistos como máquina de atendimento", declarou Renato.

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