O erro na impressão do cartão de respostas do primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode anular a prova neste ano em todo o País. Caso isso ocorra, os 98 mil candidatos que fizeram o exame em Mato Grosso do Sul terão que repeti-lo. O problema é que os fiscais de algumas salas não avisaram os estudantes sobre o erro no cartão, o que pode ter dado margem à falhas na hora de preenchê-lo, segundo apurou a reportagem com candidatos na saída de locais de exame, em Campo Grande, ontem.
"Na minha sala, ninguém comentou nada sobre a inversão das áreas no cartão de resposta e no caderno de provas. Eu percebi a troca e coloquei as respostas corretas", disse, aliviada, Eliane Souza, 18 anos. Outra candidata, Cristiane Bugalho, 21 anos, foi avisada pelo fiscal em sala que havia o erro, mas observou que uma pessoa ao seu lado já estava colocando as respostas quando foi comunicada a troca, lembrou-se a aluna que também garantiu as respostas certas em seu cartão. "Mas acho que isso ainda vai dar problema para muita gente", comentou.
A Defensoria Pública da União deve pedir, nesta segunda-feira, ao Ministério da Educação (MEC) a anulação da prova por conta do erro de impressão. Por outro lado, as pessoas que fizeram o Enem e se sentirem prejudicadas também poderão acionar o Ministério Público Federal para entrarem com uma representação. A alegação é de que qualquer problema que induza o aluno ao erro é motivo para anulação da prova e enquanto existir dúvida sobre o fato de os alunos terem sido informados, ou não, sobre a troca no cartão de resposta, cabe à entidade organizadora do exame provar que foram.
As denúncias, as falhas na impressão e aplicação da prova serão analisadas pelos promotores e caso seja constatado que houve dano coletivo, uma ação civil pública poderá pedir a suspensão do exame.
Erro de impressão
No caderno de prova do sábado, primeiro dia de aplicação do Enem neste ano, os alunos tinham de responder, em primeiro lugar, as questões de Ciências Humanas, numeradas de 1 a 45. Depois, vinham as perguntas de Ciências da Natureza, entre os números 46 e 90. No cabeçalho do cartão-resposta, porém, a ordem estava invertida.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação das provas, informou que o problema de impressão gráfica aconteceu em todo o País e que os fiscais foram orientados a passar a informação para os estudantes ignorarem o que estava escrito no cabeçalho do cartão-resposta.
O MEC disse que a correção das provas vai considerar o número de cada questão, independentemente da informação no cabeçalho. O gabarito com as respostas deve ser anunciado amanhã e os resultados até o dia 15 de janeiro de 2011. O exame é utilizado para certificação do ensino médio e também como nota de admissão para universidades públicas no País, como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).