Um documento prévio do comunicado do G-20, grupo das 20 economias mais industrializadas do mundo, preparado ontem para os líderes do grupo, diz que os países permitirão cada vez mais que os mercados determinem as taxas de câmbio. "Nos moveremos em direção a sistemas de taxas de câmbio determinados mais pelo mercado e que garantam flexibilidade ao câmbio para refletir os fundamentos econômicos subjacentes", diz a prévia do documento obtido pela agência Dow Jones.
A ideia é a mesma exibida no comunicado dos ministros de Finanças do G-20 do final de outubro. Mas o documento prévio dos líderes para o encontro de hoje e amanhã não mostra ainda como serão abordadas as intervenções no câmbio. O documento prévio dos líderes diz que o G-20 irá "evitar desvalorizações competitivas" das moedas, a mesma linguagem do encontro anterior, mas também menciona como alternativa "subvalorização competitiva" em parênteses.
Os chefes de Estado começaram a chegar ontem à capital sul-coreana para a cúpula de dois dias, que oficialmente começará hoje. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegará hoje à capital sul-coreana.
Além do câmbio, os líderes discutirão assimetrias no comércio exterior, a recuperação da economia mundial e medidas recentes adotadas pelos governos e bancos centrais, como a anunciada pelos Estados Unidos, de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) pretende comprar US$ 600 bilhões em bônus governamentais de longo prazo, supostamente para estimular os empréstimos e dar impulso à economia norte-americana. A medida tem sido amplamente criticada pelos países, os quais afirmam que ela dará vantagem aos produtos norte-americanos em outros mercados.
O presidente dos EUA, Barack Obama, um dos primeiros a chegar a Seul ontem, defendeu a medida. "Os EUA farão sua parte para restaurar um forte crescimento (econômico), reduzir os desequilíbrios na economia e acalmar os mercados", escreveu Obama em comunicado. "Uma forte recuperação que gere empregos, salários e gastos é a contribuição mais importante que os EUA podem fazer para a recuperação global". Obama estava na defensiva.
As divisões entre as potências econômicas ficaram evidentes quando a principal agência avaliadora de crédito da China rebaixou a qualificação dos Estados Unidos, em resposta à decisão do Federal Reserve de comprar mais bônus do Tesouro americano. Importantes exportadores, como a China e a Alemanha, estão se queixando de que a ação do BC americano reduz o valor do dólar e dará uma vantagem aos produtos norte-americanos nos mercados.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou ontem, ainda em Berlim, que seu país não aceitará metas fixas para os desequilíbrios comerciais, uma das questões que deverão ser discutidas em Seul.