Cidades

PLANO ARQUITETADO

Polícia apura tráfico e sumiço de 3 pessoas

Polícia apura tráfico e sumiço de 3 pessoas

Redação

11/11/2010 - 05h00
Notícia sem imagem

 

Um caso de falso sequestro arquitetado por um empresário de Dourados para encobrir seu envolvimento com o tráfico de drogas está levando a polícia local a suspeitar de mais crimes relacionados, como o desaparecimento misterioso de três pessoas ocorrido no dia 7 de setembro último, no município.

Ontem pela manhã, policiais do Serviço de Investigações Gerais (SIG), da Polícia Civil e Delegacia de Fronteira (Defron), fizeram buscas em um pesqueiro na periferia, atendendo denúncias de que os corpos dos desaparecidos estariam enterrados neste local.

Nenhum vestígio da presença dos corpos foi encontrado em toda a área, mas na sede do pesqueiro os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros com carregador. Também foram apreedidos outros dois carregadores de uma arma de calibre 380 com caixa de munição, na gaveta de um berço.

Por força de um mandado de busca e apreensão os materiais foram apreendidos junto com um veículo Celta, placa de São Paulo, que deverá passar por averiguação, como forma de verificar se existe alguma irregularidade com o carro.

 Sequestro
O pesqueiro seria de propriedade do empresário Junior de Souza Pereira, preso na tarde de terça-feira, em um lava-rápido da cidade, mediante mandado de prisão expedido pela Justiça do Paraná, por tráfico de drogas. O empresário douradense, em abril deste ano, denunciou ter sido vítima de sequestro, ocasião em que teve duas caminhonetes de sua propriedade supostamente levadas pelos assaltantes.

Os veículos foram localizados no Paraná, nas cidades de Loanda e Nova Londrina. A que apareceu em Loanda estava com mais de 800 quilos de maconha e foi abandonada depois que o condutor furou uma barreira policial.

O relato do suposto sequestro foi feito inicialmente pela esposa de Júnior, Karina Vasquez Calixto. Ela alegou na época que chegou em casa e não encontrou o marido e nem as duas caminhonetes do casal, uma S-10 e uma Toyota Hilux e que, minutos depois, foi contatada, via celular, pelos supostos sequestradores.

Eles teriam exigido a quantia de R$ 30 mil pela liberdade de seu marido. No dia seguinte, Júnior apareceu e foi até a delegacia, onde contou que foi deixado em uma estrada vicinal na área rural de Caarapó.

A polícia paranaense continuou as investigações em torno da apreensão da droga e da localização dos dois veículos de um mesmo proprietário, concluindo que seria o próprio Júnior que estaria levando a maconha. Com base nas provas, a Justiça decretou a prisão do empresário, cujo mandado foi encaminhado para Dourados e cumprido na tarde de terça-feira.

 Desaparecidos
Já na manhã de ontem uma denúncia anônima levou a Polícia Civil ao pesqueiro de Júnior, localizado nos fundos do Jardim Guaicurus, periferia de Dourados, com mandado de busca e apreensão. O denunciante afirmou que na área do pesqueiro estavam enterrados os corpos de três pessoas desaparecidas.

Pelo que a polícia apurou, as vítimas seriam Maicon Hélio Marques Levandosky, 24, seu pai José Levandosky Toniazzo, 50, e Manuel Leal Araújo, 37. Essas três pessoas estão desaparecidas desde o último dia 7 de setembro e a família não teria nenhuma informação a respeito do paradeiro delas.

A polícia vem investigando o caso sigilosamente desde a data do desaparecimento e o único detalhe repassado é que Maicon e José ocupavam um veículo Voyage e Manuel estava em um Honda Civic. Ontem toda a área apontada na denúncia anônima foi vistoriada, mas nenhum indício de confirmação foi detectado. A polícia investiga se existia alguma ligação entre essas pessoas e o empresário e não descarta a possibilidade de relação entre os dois casos.

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