O alcoolismo pode ser passado de mãe para filha, de acordo com a psicóloga Ana Beatriz Pedriali, autora do livro recém-lançado "Um Passado que Vive -Transmissão Familiar do Alcoolismo Feminino" (Rosea Nigra, 152 págs., R$ 35).
A pesquisadora acompanhou 62 mulheres alcoólatras e não alcoólatras na sua tese de doutorado e concluiu que, além do fator genético, o comportamento e as relações familiares são determinantes para o vício.
Entre as alcoólatras, pelo menos uma em cada cinco era filha de uma mulher também viciada em álcool.
"Há uma transmissão do comportamento, da violência e dos conflitos. Não há registros desse fenômeno em homens", diz Pedriali.
A maioria das mulheres dependentes tinha uma relação conflituosa com mães e avós. "Elas reproduzem o mesmo comportamento com as filhas. São mulheres que aprendem a resolver problemas bebendo."
O trabalho foi desenvolvido no IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas de São Paulo.