Região central de Campo Grande, que supostamente deveria ser a mais avançada no cumprimento das normas de acessibilidade, apresenta série de falhas que comprometem a circulação de pessoas com deficiência física e até mesmo quem não tem mobilidade reduzida. Não é preciso andar muito para deparar-se com problemas como falta de rampas de acesso em esquinas, calçadas esburacadas ou trechos simplesmente sem nenhum calçamento e mobiliário urbano mal posicionado ao longo do passeio público.
O Correio do Estado acompanhou o deslocamento do autônomo José Alonso dos Santos, de 39 anos, que é cadeirante, pela Rua Calógeras, a partir do cruzamento com a Avenida Afonso Pena até a Rua Barão do Rio Branco. Os flagrantes, que podem ser conferidos nesta página, são de situações que poderiam ser resolvidas com medidas simples pela municipalidade e pelos proprietários de estabelecimentos.
Sem rampas
O ponto de partida de José Alonso é a frente do Banco Bradesco, situado na esquina da Rua Calógeras com a Avenida Afonso Pena. O calçamento, todo feito de pedra portuguesa e com pista tátil, já está adaptado e há rampas nas duas esquinas. Os problemas começam a aparecer na travessia do canteiro central da Afonso Pena. As rampas existem, mas estão com sinais de deterioração e para facilitar seu deslocamento José Alonso prefere ir para o asfalto, passando próximo ao meio-fio do canteiro, para então atravessar a outra pista e chegar à esquina da Casa do Artesão.
Neste ponto, uma grave falha de acessibilidade — simplesmente não há rampas nas proximidades de um dos principais pontos turísticos da cidade. Mesmo assim, o autônomo não se intimida e manobra sua cadeira de rodas para "escalar" a calçada. Na sequência, surgem alguns desníveis e valetas, que não chegam a constituir obstáculo significativo no trajeto, mas mostram a falta de padronização das calçadas do centro da cidade.
Mau estado
José Alonso chega então ao cruzamento da Rua Calógeras com a Rua Barão do Rio Branco e atravessa para o outro lado, onde mostra outras falhas de acessibilidade: a calçada da Barão, que foi revitalizada há 11 anos e recebeu piso de pedra portuguesa, está destruída desde o meio-fio até o alinhamento predial e dificulta a circulação inclusive de pedestres que necessitam passar pelo trecho para chegar à Rua Ernesto Geisel, próximo aos Correios.
Esse inclusive é o trajeto utilizado pelo autônomo para chegar ao ponto de ônibus de uma das linhas que utiliza para retornar para seu bairro, o Aero Rancho. "Aqui, não tem jeito. Só descendo da calçada e indo pela rua", conforma-se o autônomo.
Mais adiante, ainda na Rua Calógeras, a calçada de um imóvel fechado deteriorou-se a tal ponto que "sumiu". Para avançar neste ponto, José Alonso é obrigado a fazer nova manobra, ou então ir para a rua, arriscando-se pelo corredor exclusivo de ônibus. Ele prefere a primeira alternativa. "Para quem tem agilidade, ainda dá (para circular pelo trecho estragado da calçada). Mas quem não sabe controlar a cadeira não passa", comentou.