O prefeito Nelson Trad Filho assinou hoje, no Centro Comercial Popular Marcelo da Fonseca, dois temos de autorização para uso especial de vendedores autônomos cadeirantes, incluídos no projeto Reviver desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur).
De acordo com o titular da Semadur, Marcos Moura Cristaldo, o prefeito determinou em 2008 a criação da Coordenadoria de Políticas Públicas para Portadores de Necessidades Especiais, para que fossem identificados os vendedores autônomos com restrições de acessibilidade e incluídos no programa que visa à geração de renda e regularização de trabalho formal. “O prefeito pediu que organizássemos a situação dos trabalhadores identificados pela fiscalização da Semadur e que buscássemos espaços com acessibilidade”, comentou Cristaldo.
O secretário ressaltou, ainda, que o projeto deve viabilizar a construção de espaços para estes profissionais, acoplados às bancas de revistas da região central e em outras áreas públicas comerciais como a Feira Central. “O próximo passo é viabilizarmos a construção de 57 pontos pré-definidos no projeto e buscar parcerias na iniciativa privada que patrocinem estes espaços”, divulga o titular da pasta.
Para o prefeito Nelsinho Trad, a administração pública tem que estar preparada para atender todos os segmentos e necessidades da população e aproveitar o potencial de cada cidadão.”Fico extremamente feliz em apoiar estes profissionais que são exemplos de vida, apesar de todas as dificuldades encontradas no cotidiano. Por isso, nossa preocupação em construir prédios, asfaltos e calçadas com acessibilidade para as necessidades especiais de nossos cidadãos”, ressaltou.
Beneficiados – Um dos convidados para o evento foi Adelino Alves de Sousa, o primeiro permissionário a ter um espaço em uma banca da rua 14 de julho com a rua Dom Aquino. Segundo Miguel Xavier, que assinou hoje o termo de utilização, foi Adelino quem o ajudou a buscar apoio da Semadur para conseguir um espaço onde conseguisse trabalhar dignamente.
“Sou cadeirante há 38 anos, decorrente de uma seqüela de meningite e sempre enfrentei as dificuldades com serenidade, buscando trabalhos que me possibilitassem o sustento. Já trabalhei de sapateiro, aprendi a fazer crochê e fui engraxate. Hoje, trabalho com venda de canetas e outros produtos e estou satisfeito de ter me estabelecido aqui no Camelódromo, o pessoal daqui é muito bacana”, declarou Xavier.
Já o autônomo Dorcinei Taveira de Oliveira que antes vendia seus produtos em frente a supermercados, lojas e mesmo na rua, também comemora o espaço em que tem mais segurança e um público freqüentador cativo do local. “É uma excelente oportunidade para quem quer trabalhar e estou aproveitando a chance oferecida pelo prefeito”, elogiou Oliveira.
A opinião unânime dos vendedores é de que a realidade do portador de necessidades especiais é bem diferente de algumas décadas atrás e estão esperançosos em progredir financeiramente com acesso a um espaço popular como o Camelódromo. “Antes, as pessoas achavam que um cadeirante era inútil não conseguia fazer nada, hoje a situação é bem diferente, somos exemplo de superação e força de vontade. Quer um exemplo? É só ver a força dos paratletas que conquistam medalhas de ouro para o Brasil. Nós queremos apenas a oportunidade digna para trabalhar e respeito quanto as nossas restrições”, desabafou Miguel Xavier.