O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, afirmou que a população de Mato Grosso do Sul não deve temer a vinda de criminosos de alta periculosidade para o Presídio Federal de Campo Grande. A declaração contraria entendimento de autoridades como, por exemplo, o prefeito Nelsinho Trad e o deputado estadual Marquinhos Trad, que na época da instalação do presídio, inaugurado em 2006, defendiam a idéia de que a vinda desses bandidos traria consigo outros marginais e a própria família deles, aumentando a insegurança local. Anteontem, chegou à cidade a integrante da facção criminosa Comando Vermelho, do Rio, traficante e assaltante Sandra Helena Ferreira Gabriel. Ela foi presa na ocupação no Conjunto de Favelas do Complexo do Alemão.
"A população pode ficar tranquila que essas transferências não trarão problemas para nós. Temos no presídio outros criminosos, como Fernandinho Beira Mar, e nada mudou com a vinda dele", enfatizou Jacini. O governador André Puccinelli (PMDB), por sua vez, chegou a declarar, no início da semana, que ainda existiam 71 vagas na penitenciária federal e não haveria problema para receber os presos até a capacidade total que, segundo ele, é de 208. "Enquanto tiver capacidade podemos receber [os presos]. Mas assim que atingir o limite vamos interditar a pista", disse André Puccinelli, referindo-se a pista de pousos do Aeroporto Internacional de Campo Grande onde descem os aviões com os presos.
Na tentativa de coibir a entrada de criminosos foragidos do Rio de Janeiro depois da operação de guerra contra o tráfico, o secretário Jacini esteve em Brasília (DF) para discutir estratégias de segurança e evitar que esses bandidos cheguem ao Estado. A preocupação culminou numa reunião extraordinária do Colégio Nacional de Secretários Estaduais de Segurança Pública, na quarta-feira. Entre outras reivindicações, o secretário pediu mais viaturas para as unidades policiais da fronteira e também questionou quem são os criminosos que ainda estão foragidos, qual o grau de periculosidade deles e também solicitou fotos para facilitar a prisão daqueles que, eventualmente, consigam chegar ao Estado. (KC)