As cenas de merchandising social já
viraram clichê nas novelas da Globo. Mas o ar
sério e o discurso didático passam longe dos
estúdios de “Ti-Ti-Ti”. A história de Maria
Adelaide Amaral até chama a atenção para os
problemas que a má gestão do lixo pode trazer ao
meio ambiente. Mas tudo com muitas caras e bocas,
nos típicos tons carregados do diretor Jorge
Fernando. Em cena que vai ao ar amanhã, por exemplo, Jaqueline, de Cláudia
Raia, toma um susto ao ver a filha Thaísa, de
Fernanda Souza, cercada de lixo na sala de casa.
E criando com os restos uma escultura que,
segundo a menina, “traduz a expressão da
verdade”. “Nessa nova fase, a Thaísa acredita que
vive uma vida falsa, mentirosa, e decide se
livrar de tudo que pode camuflar ou disfarçar
suas características naturais. Com isso, ela para
de usar perfumes, cremes e outros luxos e passa a
se vestir e se comportar de forma rebelde”,
explica Fernanda, pouco depois de ouvir os
conselhos de Cláudia para dar mais emoção à cena.
Tudo começa quando Jaqueline, depois de
rasgar o vestido que Clotilde, de Juliana Alves,
usaria no casamento com Jacques Leclair, corre
para ver Thaísa. Desolada, a “fashionista” busca
conforto nos braços da filha, mas se assusta com
o cheiro desagradável que sai debaixo deles. Na
cena, as personagens fazem referência à velha
Turma da Lazinha, uma galera “do mal” que já era
mencionada na primeira versão da história. “Essa
cena é complicada porque a Jaqueline saiu de um
momento ruim, dramático, vendo o vestido da
Clotilde e, em seguida, encontra a filha assim. É
mais difícil dosar o humor em sequências como
essa”, avalia Cláudia, que tira todas as dúvidas
sobre o melhor tom com Jorge Fernando.
O lixo, formado em sua maior parte por
garrafas de plástico, restos de comida e papéis,
é motivo de reclamações de Jorge Fernando. “Nunca
vi um lixo tão limpo na minha vida. Isso aqui
parece sujo?”, indaga. A limpeza é tanta que o
diretor resolve pedir que Fernanda coma um pouco
da alface usada para enfeitar a “obra de arte” em
cena. Exceto por um mínimo detalhe. “Não gosto
muito de comer alface pura, mas se quiser, eu faço”, diz a atriz.
Claudia e Fernanda dividem a gravação com
uma “companheira” inusitada. Para dar mais humor
à rebeldia de Thaísa, a autora Maria Adelaide
Amaral “deu” um bicho de estimação diferente para
a personagem: a cabra Verdade. “Já gravei com
todos os bichos que você possa imaginar. Eles
sempre enriquecem as cenas. Ainda mais quando são
diferentes daqueles que estamos habituados a ver
nessas situações”, explica Jorge Fernando.
Durante o ensaio, o animal fica num canto,
descansando, esperando a hora certa de
“trabalhar”. Quando a cena começa a ser rodada,
uma surpresa tira a atenção das duas atrizes: a
cabra faz cocô entre as duas. “Por mim, está
tranquilo. A gente continua e o pessoal limpa
depois que a gravação acabar”, opina Cláudia. A
frescura fica apenas na ficção. Não é à toa que
os trabalhos se encerram em apenas 30 minutos.
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