A polícia do Rio de Janeiro apreendeu uma carta no início deste semestre e sua autoria é atribuída ao narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Por meio do bilhete ele estaria encomendando o sequestro de uma pessoa de peso político em troca da libertação do miliciano Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, recluso no Presídio Federal de Campo Grande. O objetivo do narcotraficante seria estreitar os laços com Batman, que o ajudaria no comando do tráfico de drogas.
"O primeiro contato será feito com o bispo geral do Brasil. A pessoa vai ligar para ele avisando que está com a vítima e queremos em troca da liberdade dele a liberdade do miliciano Batman e de mais dois que estão com ele. Avise ao bispo para não envolver a mídia e pessoalmente acertar os detalhes com o ministro da justiça", recomendava a carta, que descrevia um plano alternativo para o desfecho do suposto sequestro. "Isso só em último caso, se eles não aceitarem... Eu só lamento: passem fogo na pessoa e vamos pegar outra com mais peso político".
Consta na carta atribuída a Beira-Mar, que o preso cobrou informações com relação a prestação de contas das atividades movimentadas pelo tráfico. "Quanto vocês receberam do gás, da água, net, maquininhas, etc, onde estão os caminhões, as kombis", questionou no bilhete, onde o narcotraficante também repassou detalhes de despesas com fornecedores e transporte de entorpecentes até o Rio de Janeiro. "Estamos pagando 40 reais cada quilo de café em cidade do leste, vinte reais por quilo para atravessar, guardar e colocar no caminhão e mais quarenta reais até nossa cidade. Os haxixes e os outros que vieram sem frete ficam para nossos fiéis", determinou.
Europa
Segundo policiais, na carta apreendida consta a informação de que a quadrilha de Beira-Mar trazia cerca de 450 quilos de cocaína por mês do exterior, sendo que 300 quilos eram enviados para a Europa e 150 para o Rio de Janeiro, que também recebia cinco toneladas de maconha. O lucro seria dividido com um sócio, que não teve o nome revelado.
Ainda por meio do bilhete, o narcotraficante teria feito comentários sobre a morte de suposto informantes da polícia – os chamados X9. Beira-Mar também teria feito questionamentos sobre cobranças de dívidas e determinado que devedores que não quisessem pagar em dinheiro teriam que entrar como sócios em três empresas que ele pretendia abrir no Rio de Janeiro. (VS)