Cidades

MEDULA ÓSSEA

Banco de sangue vai ajudar busca a doadores

Banco de sangue vai ajudar busca a doadores

Redação

25/12/2010 - 08h30
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A qualidade da estrutura oferecida pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado (Hemosul) aliada com a diversidade étnica da população sul-mato-grossense resultou na implantação de um Banco de Sangue de Cordão Umbilical Placentário em Campo Grande. O procedimento foi apresentado como uma técnica que deve ser implantada até o primeiro trimestre de 2012 na Capital, segundo o coordenador do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, Luis Fernando da Silva Bolzas, que também é diretor do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer.

Bolzas explica que em um banco de medula óssea comum somente a busca por um doador compatível dura cerca de quatro a seis meses. “Com o banco de sangue de cordão umbilical esta busca diminui para 15 dias porque é um sangue que vai para o banco totalmente testado em vários tipos de exames”, diz. Atualmente 11 bancos funcionam no Brasil e os projetos implantam outros quatro: na Bahia, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso do Sul. “Com todos estes bancos funcionando, a expectativa é de que em pelo menos cinco anos nós tenhamos 80 mil unidades”, antecipa o coordenador do Redome.

A doação de sangue do cordão umbilical será realizada em maternidades credenciadas apontadas pelo Hemosul e toda a equipe envolvida no procedimento, desde a coleta até a inclusão no banco, será capacitada. “Por isso é um banco revolucionário nos campos da saúde e também no campo científico porque traz também novos conhecimentos para os nossos profissionais”, diz o diretor do Hemosul, Osney Okumoto.

Para a doação é necessário um processo de conscientização das mães já no período de pré-natal. O banco que será implantado em Campo Grande, segundo Bolzas, terá um limite de 80 unidades por mês, por isso a abordagem deve ser feita com cerca de 160 a 200 mães. “A doação é procedimento simples: após o parto, normal ou cesariana, é retirada a placenta com o cordão umbilical e o sangue é extraído do cordão, fora do parto, para ser integrado ao banco”, explica. Após a retirada da amostra, o sangue passa por um processo de análise e somente depois desta etapa ele é levado para o banco.

Para o coordenador da Redome, o sangue do cordão tem vários pontos positivos: “é um tipo de sangue totalmente descartável mas que é rico em células-tronco. Tem baixa contaminação por agentes infecciosos e nos dá a possibilidade de aumentar o banco de tipagens mais raras”, enumera. Ele afirma ainda que cerca de 70% dos pacientes precisam de fontes alternativas de doação, por isso a alternativa aumenta as chances de quem precisa de transplantes de medula, principalmente aqueles que não têm doadores na família.

“Um dos principais problemas hoje no Brasil para encontrar doadores compatíveis é a diversidade genética. A miscigenação da população brasileira é bastante singular, por isso estamos investindo em diversas regiões e também, desta forma, incentivando a criação de centros de transplante de medula óssea em lugares que ainda não fazem este tipo de procedimento”, afirma Luis Fernando Bolzas.  

Segundo o coordenador, neste momento está sendo desenvolvido o projeto básico para a análise do BNDES que deve liberar os recursos em cerca de 90 dias. Após este processo, entre a obra e a compra dos materiais necessários para a instalação do banco, deve haver um prazo mínimo de oito meses. O banco de sangue de cordão umbilical será implantado no espaço que hoje abriga o almoxarifado do Hemosul.

O sangue coletado deve ser mantido a uma temperatura de 190 graus negativos para conservação. Com a ativação do banco, o Estado também passa a integrar a Rede Nacional de Cordão Umbilical.

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