Uma das raras internas a admitir a culpa. Felícia, de 30 anos, é a detenta com maior tempo de condenação no presídio atualmente. A pena de oito anos de detenção por tráfico de drogas, no entanto, poderá ser atenuada graças ao trabalho na confecção. Presa há dois anos e sete meses, Felícia deverá sair em fevereiro para cumprir o restante da pena em liberdade condicional e com a vantagem de já ter trabalho garantido. O talento para a costura lhe rendeu o convite para se integrar a empresa de confecção assim que estiver em liberdade.
Com o dinheiro que ganha na penitenciária (400 reais por mês), consegue até pagar a babá do filho de três anos de idade. “Mando 250 pra casa, guardo 100 reais e gasto o restante comigo”, explica, contando que pretende abrir o próprio negócio assim que estiver em liberdade. Afinal, Felícia sabe que tem pela frente o desafio de sustentar a família: além do caçula, ela tem uma menina de 16 e um menino de 4 anos que está morando com o pai. Os outros ficam com a tia, já que o atual marido também está cumprindo pena pelo mesmo crime.
Quando perguntamos o motivo do seu envolvimento no tráfico, ela trata de eximir o marido de culpa. “Eu fiz porque quis, ele não me obrigou a nada”, defende. No entanto, Felícia, que se diz arrependida do crime, já resolveu que, se ele continuar no tráfico, vai haver separação. “Não quero mais continuar com isto”, afirma.
Pelo segundo ano consecutivo, ela vai passar o Natal na prisão, longe dos filhos. Mas deve receber, na véspera, a visita dos mais novos. “A minha filha mais velha não aceita minha prisão”, admite.
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Caso raro: interna admite culpa
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