Apesar de a maioria deles gozar do status de refugiados, vivem de forma precária em um prédio de quatro andares sem luz, gás e água corrente, que não oferece a eles o mínimo necessário para uma vida digna.
Alguns vivem nessa situação há anos. Ocupam diferentes salas do edifício, em pequenos espaços compartilhados por sete e oito pessoas. Algumas das salas são usadas como cozinha e dormitório ao mesmo tempo.
Um dos quartos do terceiro andar é ocupado por Ismail, o cozinheiro do grupo, e por seus companheiros Ali, Aidid e Dek, que revelam sentirem falta de produtos como sabão e pasta de dentes.
"Se me visse agora no espelho, certamente me suicidaria", disse Ismail à Agência Efe.
No que antigamente era o jardim da embaixada, agora estão veículos velhos, vidros quebrados, e, no um dia deve ter sido a garagem, isolada do exterior apenas por alguns cobertores pendurados em um fio, dormem dezenas de pessoas em colchões espalhados pelo chão.
Depois de irem para a Itália para fugir da guerra, os somalis destacaram à Efe que o Governo italiano não oferece a eles qualquer tipo de ajuda.
Após conceder o status de refugiados, a Itália não facilitou em nada suas vidas nem a integração desses cidadãos à sociedade.
Segundo relataram, o governo italiano não dá ajuda econômica como acontece em muitos outros países europeus, e eles também não têm acesso a cursos de italiano, o que os ajudaria, entre outras coisas, a conseguir um trabalho.
Os somalis afirmaram que apenas querem um futuro melhor do que o passado que deixaram para trás em seu país e lamentam que, em muitas ocasiões, a cor de sua pele gere desconfiança.
Além disso, revelaram que tentam procurar trabalho, mas não conseguem.
Deste modo, acabam ficando confinados à espera de uma oportunidade que, por enquanto, não aconteceu e continuam dependentes da ajuda de associações e organizações de caridade, assim como da generosidade de algumas pessoas, que dão a eles alimentos e roupas.
Ali disse que a Somália foi colônia italiana até 1960 e que, no entanto, a Itália não os respeita.
Ele, que vive há três meses na embaixada, revela que o que eles têm "não é vida" e destaca que na Somália "vivia melhor", pois tinha casa e trabalho e que a única coisa ruim era a guerra. Diante dessa situação, admite que se tivesse condições voltaria ao seu país.
Mas, de acordo com outros dos somalis que vivem na embaixada, voltar a seu país de origem é impossível porque, se retornassem, se veriam forçados a assumir uma posição e a fazer parte de uma das facções que lutam pelo poder.
À falta de ajudas se soma o fato de eles não poderem tentar a vida em outra nação européia, já que, pelo Regulamento de Dublin, apenas um país pode tramitar seu asilo e, como este já foi concedido na Itália, é seu Governo quem deve zelar por eles.
Deste modo, muitos tentaram ir às nações do norte da Europa, mas foram deportados à Itália, como aconteceu com Ismail, de 21 anos, quem após chegar ao país com 17 anos viveu na Holanda, Suécia, Noruega e Alemanha. No entanto, em todas essas ocasiões, foi obrigado a retornar.
Por isso, os habitantes da embaixada vêm e vão, desde que no início de 2000 decidiram se instalar no prédio, onde vivem sem esperar mais nada das autoridades italianas.