Após três meses de espera na fila nacional pelo transplante de medula óssea a pequena Janine Benitez, 5 anos, acabou não resistindo e faleceu no último dia 31 de dezembro, quatro dias antes de ser submetida à cirurgia. A criança desenvolveu a aplasia de medula óssea – doença rara e extremamente séria que impede a produção de sangue – e enquanto aguardava pelo procedimento estava sendo tratada no Centro de Tratamento Onco-Hematológico Infantil (Cetohi) do Hospital Regional Rosa Pedrossian, em Campo Grande. "Qualquer febre ou gripe nessas crianças é considerada grave levando em conta a baixa imunidade que elas apresentam por conta da doença", explicou o oncologista responsável pelo Cetohi e especialista em transplante de medula óssea, Marcelo dos Santos Souza.
Ela já havia vencido uma das barreiras enfrentadas por quem necessita do transplante ao encontrar no irmão, de 13 anos, um doador compatível. Mas, como o procedimento não é feito em Mato Grosso do Sul, a menina entrou na lista nacional para ser submetida à cirurgia em outro Estado e seu organismo não resistiu à espera. De acordo com o especialista Marcelo dos Santos Souza até ontem Janine foi a última criança a morrer na espera pelo transplante tendo o doador compatível, mas não é a única. "Já perdemos muitas crianças na fila e o que é pior, tendo o doador compatível entre os parentes – essa chance é de 1 para cada 100 mil doadores –", lamentou Marcelo.
A equipe do Correio do Estado chegou a conversar com Janine e a mãe dela, Liliana Benitez, 37 anos, quando a matéria estava sendo preparada cerca de duas semanas antes de ela falecer. Como elas residiam em Ponta Porã estavam na Capital para consulta de rotina e nos deram o prazer de conhecê-las. No momento em que Lilian falava das expectativas com o transplante, Janine enxugava as lágrimas da mãe, que aguardava esperançosa pelo procedimento que a filha tanto necessitava. Por telefone o pai dela, Valdeci Negrete, 37 anos, desabafou. "A coisa mais difícil Deus nos deu... A oportunidade de ter em casa o irmão dela como doador compatível, mas pelas mãos dos homens minha filha não conseguiu ser salva".
Hoje pelo menos dez crianças com doador compatível na própria família aguardam pelo transplante.