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RIO DE JANEIRO

Bope escava Piscinão de Ramos a procura de corpos

Bope escava Piscinão de Ramos a procura de corpos

Redação

11/02/2011 - 15h46
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Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) escavaram, na manhã desta sexta-feira, o Piscinão de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro, a procura de corpos e armas que estariam enterrados no local. A ação fez parte da Operação Guilhotina, desencadeada a partir de informações de que milicianos atuantes na favela Roquete Pinto utilizariam o local como cemitério clandestino de traficantes rivais assassinados.

De acordo com a polícia, os criminosos teriam utilizado o Iate Clube de Ramos, localizado nos arredores da região, para torturar e matar seus algozes, enterrando os corpos na areia do Piscinão. No entanto, mesmo com o uso de uma retroescavadeira, nada foi encontrado.

A milícia da Roquete Pinto é um dos principais alvos da Operação Guilhotina. Policiais federais cumprem 45 mandados de prisão nesta sexta-feira, sendo que 21 deles são relativos a membros desta quadrilha.

Operação Guilhotina mobiliza 580 homens
A Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira, contou com o apoio de 200 agentes da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e do Ministério Público Estadual (MPRJ). O objetivo é cumprir 45 mandados de prisão preventiva - sendo 11 contra policiais civis e 21 contra policiais militares -, e 48 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 28 pessoas foram presas, sendo 16 PMs e seis civis.

Cerca de 380 homens da PF participam da ação, que ainda investiga a ligação dos policiais com venda de armas e informações e o chamado "espólio de guerra", que é a subtração de produtos de crime encontrados em operações policiais, como ocorrido na recente ocupação do Complexo do Alemão. Os agentes contam com o apoio de lanchas e helicópteros na operação.

As investigações iniciaram a partir do vazamento de informações numa operação conduzida pela PF em 2009, que tinha como principal objetivo prender o traficante Rupinol, que atuava na favela da Rocinha junto a Nem, apontado como o chefe do tráfico na comunidade. De acordo com a Polícia, um grupo de policiais é suspeito de receber até R$ 100 mil por mês para proteger Nem e o avisar sobre operações no local.

A partir daí, duas investigações paralelas foram iniciadas, uma da Corregedoria Geral Unificada da SSP e outra da Superintendência da PF. A troca de informações entre os serviços de inteligência das duas instituições deu origem ao trabalho conjunto desta manhã.

Entre os procurados pela operação, está o delegado Carlos Antônio Luiz Oliveira, ex-subchefe da Polícia Civil. Ele é considerado foragido da Polícia Civil, uma vez que policiais federais chegaram nesta manhã com um mandado de prisão à sua casa em Campo Grande, zona oeste da cidade, e não o encontraram.

Na manhã desta sexta-feira, as 17ª e 22ª Delegacias de Polícia (DPs) ficaram momentaneamente fechadas para que policiais pudessem cumprir os mandados de busca e apreensão nas distritais.

A delegada Márcia Beck - titular da 22ª DP e que já havia trabalhado na DP de São Cristóvão - foi detida. O delegado Ângelo Fernando Gióia, superintendente da PF, disse que durante os trabalhos dos agentes a delegada "exerceu uma conduta que as autoridades entenderam por bem levá-la para prestar esclarecimentos", até mesmo por ela ser a responsável por aquela distrital.
 

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