O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) vai construir em Piracicaba, no interior de São Paulo, uma usina de processamento de cana capaz de gerar o triplo da energia elétrica das existentes hoje no mercado. A planta piloto deve entrar em operação em três anos e vai consumir R$ 110 milhões, provenientes do setor privado e dos governos estadual e federal. A unidade servirá de modelo para o setor sucroalcooleiro.
A ideia do projeto é testar a eficiência da tecnologia de gaseificação do bagaço da cana-de-açúcar. Na gaseificação, o bagaço é posto em uma caldeira e queimado por uma espécie de maçarico gigante. Da queima é gerado um gás que move um gerador e produz energia elétrica. O processo é conhecido pelos pesquisadores brasileiros, mas ainda não é aplicado em grande escala. A usina do IPT será a primeira a fazer isso com um grande volume de bagaço de cana.
Para especialistas, se o potencial for comprovado, o Brasil vai “ganhar uma nova Itaipu” só com o aumento da produtividade. “O processo pode triplicar o potencial de geração de energia das usinas”, afirma o diretor-superintendente do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Nilson Zaramella Boeta. “Seria uma outra Itaipu produzindo energia.”