Cidades

VAZAMENTO NUCLEAR

Entenda como ocorre e quais são os perigos

Entenda como ocorre e quais são os perigos

Redação

16/03/2011 - 01h12
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A crise nuclear que se instalou no Japão depois do terremoto passou a ser a principal ameaça à população do país. O vazamento radioativo fez com que o governo do país evacuasse a área atingida e já alcançou a capital Tóquio. Mas quais são os reais perigos desse vazamento? A professora da Faculdade de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Maria Eulália Tarragó, detalhes sobre o funcionamento das usinas e os seus riscos. Confira:

Zero Hora: Como e para que funciona uma usina nuclear?

Maria Eulália Tarragó: Em uma usina nuclear a energia primária provem da fissão controlada do urânio (ou de outro material físsil, como, por exemplo, o plutônio) e todos os processos nucleares ocorrem dentro de um reservatório isolado chamado reator nuclear. A energia liberada na fissão é utilizada para produzir o vapor de água, que entra em contato indireto com o reator. O vapor, por sua vez, movimenta uma turbina de um gerador, resultando na produção de energia elétrica.

ZH: Como acontece a falha na planta nuclear que gera a liberação da radioatividade na atmosfera?

Maria Eulália: As falhas geralmente são nos equipamentos que controlam o sistema de refrigeração, como ocorreu em Chernobyl. Quando o sistema de refrigeração falha, a temperatura no interior do reator pode atingir 1200°C, fundindo a contenção de aço do reator. No caso da usina de Fukushima, a estrutura de concreto que protegia os reatores foi danificada no terremoto, o que permitiu o vazamento do material radiativo para a atmosfera após os reatores terem fundido.

ZH: A radiação consecutiva ao incêndio nos reatores da central nuclear de Fukushima poderá causar danos à saúde da população? Em que níveis? Quais?

Maria Eulália: Estima-se que 0,4mSv seja a dose de radiação mínima para levar a óbito, em um intervalo de tempo de 30 dias, 50% da população exposta. Na central nuclear de Fukushima a taxa de dose atingiu 400 mSv por hora, significando que 50% das pessoas expostas, durante aproximadamente 11h, morreriam em um prazo de 30 dias; o que recomenda manter as pessoas afastadas do local do acidente. As pessoas que foram expostas a doses significativas de radiação, se não forem a óbito em 30 dias, poderão desenvolver leucemia e câncer. O material radiativo que se dispersou na atmosfera e está sendo carregado pelos ventos também poderá causar danos biológicos à população mais exposta.

ZH: A radioatividade pode ser "carregada" pelo vento para longe ou para perto do continente?

Maria Eulália:
O material radiativo que se dispersou na atmosfera pode ser carregado para o interior ou para longe do continente, dependendo da direção dos ventos. A previsão é de que os ventos nos próximos dias carreguem a poeira radiativa para o oceano Pacífico.

ZH: Quais as chances de um desastre nuclear no Japão? É possível precisar?

Maria Eulália: O desastre nuclear já ocorreu na central nuclear de Fukushima. Ainda não se pode precisar a sua extensão. Até o momento, ele está sendo classificado como de nível 6, em uma escala que vai até 7 (o nível 7 ocorreu apenas uma vez quando do acidente em Chernobyl, em 1986).

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