Cidades

ANTÔNIO JOÃO

Índios dizem que são vítimas de calúnia

Índios dizem que são vítimas de calúnia

Redação

13/05/2011 - 00h01
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Um grupo de índios que reside na área batizada de Terra Indígena Ñande Ru Marangatu protocolou carta na coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Ponta Porã, através da qual denuncia estar sendo vítima de calúnia de fazendeiro de Antônio João, o qual é proprietário de uma área ocupada pelos índios por determinação judicial.

O fazendeiro acionou a Polícia Militar no mês de março passado, oportunidade que informou aos policiais que um grupo de oito indígenas tinha invadido sua fazenda e estava tentando abater cabeças de gado. O ruralista disse aos policiais que três vacas apresentavam cortes nas patas, que teriam sido provocados por golpes de foice.

A denúncia do fazendeiro teve repercussão em todo o Estado, sendo inclusive publicada pelo Correio do Estado, tendo como base as informações repassadas pelo 4º Batalhão de Polícia Militar. Os indígenas desmentiram qualquer tentativa de atacar animais da referida propriedade ou de ter feito qualquer tipo de ameaça a integridade física do produtor rural.

Segundo a regional da Funai em Ponta Porã, as situações de conflito de interesses entre índios e fazendeiros da região da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu são condizentes com as circunstâncias de insegurança e tensão social a que estão submetidos os índios Kaiowa de Antonio João, região de fronteira com o Paraguai.

No relato feito pelos índios à coordenação da Funai, no dia em que o fazendeiro diz que foi atacado, eles apenas buscavam lenha disponível nas proximidades da área que atualmente ocupam por autorização judicial, pois no interior desta não há disponibilidade deste recurso.

As lideranças indígenas afirmam que na referida data não ocorreu nenhum fato para que o grupo de Kaiowa fosse caluniado "quando a ele foi direcionada acusação de estar tentando abater reses de um fazendeiro, sendo tratados de forma agressiva e com arma em punho", ressaltam.

A área Ñande Ru Marangatu, cuja extensão é de 9.300 hectares, que é ocupada pelos índios guarani e kaiowa em Antônio João teve sua demarcação homologada pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva em 28 de março de 2005, depois de declaratória do Ministro da Justiça de que a posse permanente deve ficar com os indígenas. Mas um Mandado de Segurança impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos fazendeiros suspendeu os efeitos da homologação.

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