Começou a tramitar na Câmara Municipal de Três Lagoas, projeto de lei para tentar coibir a prática de trotes telefônicos contra os serviços de utilidade pública, como Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (SAMU), Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, entre outros. A preocupação é que a quantidade de trotes aos serviços de urgência e emergência continua alto, chegando a 45% das ligações que o Samu recebe mensalmente.
Segundo dados do Samu, somente nos primeiros quatro meses de 2012, o telefone 192 recebeu 1.210 trotes, uma média que assusta os plantonistas, que são obrigados a se deslocar enquanto outros atendimentos ficam descobertos ou, no mínimo, perdem tempo ao telefone, quando poderiam melhorar o tempo-resposta para casos de necessidade. A gravidade da situação é medida pelo número de atendimentos reais, que no mesmo período chegou a 2.214, ou seja, mais de um terço das ligações visaram atrapalhar o Samu. Além disso, as ambulâncias se deslocaram em vão pelo menos 13 vezes.
“Quem faz isso coloca a vida de outra pessoa em risco”, afirmou a coordenadora Maria Augusta Machado. A coordenadora salientou que nos períodos escolares os trotes se intensificam. “Nesse período o índice de trote aumenta, e isso é o grande problema do SAMU. Pedimos então para que os pais e professores conversem com essas crianças e mesmo os adultos tenham consciência de que uma vida pode acabar por essa brincadeira inconsequente”, disse Maria Augusta.
A proposta do vereador Nuna Viana (PMDB) prevê multa, doação de cestas básicas a entidades beneficentes ou prestação de serviços à comunidade, para aqueles que prestarem informação falsa aos serviços de utilidade pública. O artigo 3º do texto ainda define que qualquer cidadão é parte legítima para oferecer denúncia de mau uso do serviço telefônico junto à Anatel ou ao Ministério Público Estadual para responsabilizar o infrator.
Ele ainda destacou que a rede de ensino deve se responsabilizar por campanhas que conscientizem jovens e crianças a não praticarem o trote, principalmente por meio de orelhões. “Os serviços de emergência são essenciais para a vida e sabemos que a educação é a base de tudo. Teremos que educar nossas crianças e jovens, mas também temos que mostrar que quem passa trote deve ser responsabilizado por isso. Acredito que a punição vai coibir o trote, vai inibir a prática, pelo risco de ser punido”, avaliou.