A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) divulgou nota nesta quarta-feira em que sugere a implantação gradual da restrição às sacolas plásticas. A Câmara Municipal aprovou ontem a medida, que entrará em vigor, se for sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), no dia 1º de janeiro de 2012.
Para a federação, o assunto deveria ser debatido "de maneira mais ampla, focando principalmente na reciclagem de lixo e coleta seletiva na cidade". E acrescenta: "o prazo estipulado pelo projeto é curto para conscientização da população e adaptação do comércio".
Para José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio, poderia haver um período para a implantação gradativa da lei. "As sacolas plásticas são úteis para acondicionar o lixo doméstico e é preciso pensar em soluções mais amplas para isso", afirma.
Na opinião dele, há risco de as pessoas não acondicionarem de forma devida, o que pode provocar outros tipos de problema, como enchentes. Goldemberg defende ainda mais tempo para que a indústria de sacolas reutilizáveis se adapte à crescente demanda que virá.
A Fecomercio recomenda aos comerciantes que, aos poucos, ofereçam aos consumidores embalagens alternativas alinhadas com a preservação do meio ambiente. Para a federação todo projeto com foco em sustentabilidade deve ser discutido pela sociedade de maneira ampla pois, mais do que legislação, trata-se de um processo de conscientização.
Shoppings
A Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) também divulgou nota hoje em que classifica a proibição do uso de sacolas plásticas na cidade de São Paulo como "excelente em termos ambientais", mas que exigirá planejamento por parte do varejo.
A conclusão é de Fernanda Karrer, sócia da Dekhos Desenvolvimento em Econegócios, empresa parceira da Alshop para serviços à varejistas e shoppings.
"É uma questão quase cultural do brasileiro o uso excessivo de sacolas de plástico para diferentes fins, enquanto que na Europa e Estados Unidos já vêm se tornando uma realidade já há um tempo", disse.
Segundo a representante da associação, uma saída para o problema é o uso de sacola de papelão, "pois pode ser reciclada, desde que não seja estampada com resinas ou plásticos".
Polêmica
Quem desrespeitar a regra poderá ser multado ou ter a licença comercial suspensa.
Polêmica, a matéria segue agora para sanção de Kassab, que já vetou uma proposta semelhante no passado. Dessa vez, porém, Kassab deve sancioná-la. "Somos favoráveis a esse projeto. O encaminhamento é pela aprovação", disse Kassab, antes da votação na Câmara.
Na Câmara Municipal, o projeto de lei estava em tramitação desde 2007, mas só tomou corpo há duas semanas, quando foi encampado pelo vereador Roberto Tripoli (PV-SP), ambientalista e líder do governo na Casa.
Com a aprovação, a maior cidade brasileira será a segunda capital do país --depois de Belo Horizonte-- a proibir as embalagens plásticas.